Novo Coronavírus

Minas Gerais Governo de Minas Gerais é alvo de CPI por 'fura-fila' na vacinação 

Governo de Minas Gerais é alvo de CPI por 'fura-fila' na vacinação 

Romeu Zema (Novo) demitiu um dos vacinados, o secretário de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, e já nomeou substituto

Agência Estado - Política
É a primeira vez que Romeu Zema, eleito com a promessa de combater privilégios, enfrenta uma CPI

É a primeira vez que Romeu Zema, eleito com a promessa de combater privilégios, enfrenta uma CPI

Mateus Bonomi/Estadão Conteúdo - 02.03.2021

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais instalou uma CPI (comissão parlamentar de inquérito) para investigar a suspeita de que servidores estaduais tenham furado a fila de vacinação contra a covid-19. É a primeira vez que o governador Romeu Zema (Novo), eleito com a promessa de combater privilégios, enfrenta uma CPI.

Dos 77 deputados da Assembleia, 39 votaram pela abertura da comissão - 13 a mais que o mínimo necessário. Conforme seu requerimento de criação, a CPI não vai investigar apenas a vacinação dos servidores, e alcançará também recursos gastos pelo governo na pandemia.

Zema anunciou nesta quinta-feira (11) a demissão do secretário de Saúde, Carlos Eduardo Amaral. Em sua defesa, Amaral afirmou que o Plano Nacional de Imunização prevê a vacinação dos profissionais de saúde e disse que sua vacinação se justificava por ter feito visitas a campo.

Ao menos um assessor próximo ao governador, que não trabalha na área da Saúde, tomou a vacina. Nicolau Coimbra Campedelli trabalha na Diretoria Central de Relação com a Imprensa, vinculada à Secretaria-Geral do Estado. Todo o alto escalão da Secretaria de Saúde, subsecretários, assessores de comunicação e de cerimonial da pasta, além de funcionários de gabinete, foram imunizados, totalizando 806 servidores.

Enquanto isso, menos de 70% dos profissionais que atuam diretamente no combate à pandemia - médicos, enfermeiros e técnicos em enfermagem - no Estado receberam a primeira dose da vacina até agora. A segunda dose foi aplicada em 39,36% dos profissionais da área. O MP-MG (Ministério Público de Minas) investiga o caso e, anteontem, deu prazo de cinco dias para que o governo apresente a lista de servidores vacinados.

Na Assembleia, a avaliação entre deputados é de que a CPI foi instalada no pior momento possível para o governo Zema. O bloco considerado governista, que reúne deputados de sete partidos (Avante, Novo, Podemos, PP, PSDB, PSC e Solidariedade), não tem sido uma base coesa de apoio. Nas contas de deputados, apenas 11 dos 21 parlamentares do bloco se mantêm fiéis a Zema.

Secretário de saúde de Minas, Carlos Eduardo Amaral (foto) foi demitido pelo governador de Minas, Romeu Zema

Secretário de saúde de Minas, Carlos Eduardo Amaral (foto) foi demitido pelo governador de Minas, Romeu Zema

Allan Calisto/Estadão Conteúdo - 05.10.2020

"Vamos investigar a fundo esses que se entendem privilegiados em passar na frente dos demais na vacinação, o que, segundo o Ministério da Saúde, no momento que vivemos de pandemia, é um dos crimes mais graves nos nossos dias atuais", declarou o presidente da Assembleia, Agostinho Patrus (PV), na instalação da CPI.

Além das suspeitas de fura-fila, a CPI deve alcançar outras áreas da Saúde no Estado. A justificativa para a instalação diz que a CPI também investigará "o baixo investimento em ampliação de leitos para enfrentamento da pandemia no Estado, concomitante à não aplicação do mínimo constitucional em serviços públicos de saúde".

Autorizada

Nas redes sociais, Zema afirmou que determinou que os órgãos de controle apurem o processo de vacinação de servidores. Disse ainda que o secretário "garantiu que todas as ações adotadas são técnicas e legais".

A assessoria do governador informou que o servidor da Secretaria-Geral vacinado "cumpre expediente presencial na Secretaria de Estado de Saúde" e "todos os demais profissionais citados atuam na área de comunicação da SES". Segundo o governo, a vacinação dos servidores foi autorizada conforme critérios técnicos.

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