Hospital referência para Covid tem prejuízo de R$ 102 mil com furtos 

Unidade de saúde localizada em Belo Horizonte investiga como centrífugas, camas, televisores e aparelhos de exames sumiram nos últimos anos

Furtos somam prejuízo de mais de cem mil reais

Furtos somam prejuízo de mais de cem mil reais

Reprodução/ Record Tv Minas

O Hospital Eduardo de Menezes, referência no SUS (Sistema Único de Saúde) em Belo Horizonte para tratamento de doenças infectocontagiosas, inclusive de coronavírus, soma um prejuízo de R$ 102 mil em equipamentos furtados ou perdidos.

Os dados estão em um documento interno da unidade, ao qual a reportagem teve acesso.

A planilha elaborada pela gerência do hospital traz 110 itens não encontrados, desde computadores e camas hospitalares a aparelhos específicos como endoscópios (R$ 3.200 cada) e oxímetro (R$ 2 mil), usados, respectivamente, para exames gastrointestinais e medicação do nível de oxigênio no sangue. Os itens mais valiosos que sumiram foram duas centrífugas que custam R$ 6 mil cada. 

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O maior prejuízo foi no dia 4 de outubro de 2018, quando três homens com uniformes azuis arrombaram grades e portas do setor de patrimônio, carregaram 61 equipamentos e fugiram em uma picape sem levantar suspeitas. Consultadas pela reportagem, a Polícia Civil e a Fhemig (Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais), responsável pela unidade, informaram que o caso corre em sigilo e que ,quase dois anos depois, ninguém foi punido.

Na oportunidade, foram levados 12 computadores, 18 televisores 32 polegadas e 34 suportes para TV - prejuízo de R$ 56.992 para o hospital, que é referência no atendimento a pacientes com doenças infectocontagiosas, como Aids, tuberculose e leishmaniose.

Problemas de estrutura 

Nesta semana, a Record TV Minas mostrou que faltam insumos básicos no hospital, como máscaras cirúrgicas para funcionários e até papel higiênico nos banheiros. Com a alta demanda, pacientes com suspeita de coronavírus chegam a dividir o mesmo quarto, o que inviabiliza o protocolo de isolamento. 

Um funcionário que pediu para ter a identidade preservada lamenta que os furtos são recorrentes.

— São coisas que não saem dentro de uma sacola. São camas, monitores. Como alguém leva 30 televisores e ninguém vê passando na portaria? 

Polícia Civil e Fhemig investigam

Consultada pela reportagem, a Fhemig (Fundação Hospitalar de Minas Gerais) informou que o relatório traz prejuízos do ano de 2018 porque "como o sistema não fecha com itens faltosos, isso acumula para o ano seguinte até que sejam encerrados todos os processos administrativos".

Ainda conforme a fundação que administra o Eduardo de Menezes, "foram instauradas diligências investigatórias para apurar as circunstâncias e os possíveis responsáveis (do furto em outubro de 2018) e o processo corre em sigilo desde então. Os demais itens não localizados são objeto de sindicância interna, está na fase de averiguações e também corre em sigilo administrativo".

 Além do processo administrativo, o inquérito policial ainda não foi concluído. "Existe um inquérito policial em andamento, que tramita paralelamente ao procedimento administrativo interno da Fhemig, referente ao furto de 61 itens subtraídos", informa a Polícia Civil.