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Minas Gerais Indígenas atingidos por tragédia de Brumadinho alegam 'abandono'

Indígenas atingidos por tragédia de Brumadinho alegam 'abandono'

Tribos Pataxó e Pataxó HãHãHãe vivem em terreno doado na Grande BH; falta de água potável causa doenças em crianças

Indígenas das tribos Pataxó e Pataxó HãHãHãe que precisaram deixar a aldeia onde viviam em São Joaquim de Bicas, na Grande BH, em função do rompimento da barragem em Brumadinho (MG), reclamam da falta de estrutura do local para onde foram realocados e alegam estar ‘abandonados’.

Parte do terreno, localizado na antiga Mata do Japonês, foi doado por descendente de orientais que se solidarizou com a história do grupo, após conhecê-los em uma comunidade da Grande BH, para onde foram logo após o rompimento devido à poluição do rio.

No local, eles montaram tendas e barracas de camping para dormir. Segundo eles, o acesso a energia elétrica e água potável é precário e eles precisam ir até a escola construída pelo cacique para se hidratarem, já que não há pressão no encanamento para a água ir até às tendas.

Das cerca de 20 famílias que vivem no terreno, cinco foram indenizadas pela mineradora Vale. A cacique Angoho Pataxó alega que a empresa ‘abandonou’ os indígenas e afirma que a situação enfrentada por deles é muito difícil.

— Esses que não recebem da Vale vão viver como? Não tem emprego, não tem como vender o artesanato, não tem como pescar no rio mais. Estamos a 700 metros do rio Paraopeba, mas não podemos pescar por causa da qualidade da água.

Tribo enfrenta adversidades na 'nova casa'

Tribo enfrenta adversidades na 'nova casa'

Reprodução / Record TV Minas
 

Saúde

Angoho Pataxó conta que a tribo vivia com fartura de peixes e recursos naturais. Atualmente, eles chegam a armazenar a água da chuva em baldes para utilizarem depois. Nos últimos meses, a tribo começou a registrar doenças entre os indígenas, principalmente casos de desidratação, febre e disenteria entre as crianças, causadas pela má qualidade da água que ingerem.

As tribos também alegam ser vítimas de ameaças de vizinhos. Em um dos casos, os indígenas acionaram a Polícia Militar após um homem invadir o local com um veículo. A cacique Angoho Pataxó lamenta a situação.

— Nós estamos vivendo uma outra realidade, que não é a do nosso povo. Isso não é culpa nossa, isso foi tirado de nós.

Outro lado

Em nota, a mineradora Vale informou que cumpre todos os termos do Plano de Reparação para as Comunidades Indígenas e alegou que aguarda a conclusão de um estudo para definir outras medidas de reparação.

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