Minas Gerais Júri de médicos acusados de integrar "Máfia de Órgãos" é adiado 

Júri de médicos acusados de integrar "Máfia de Órgãos" é adiado 

Ministério Público pediu desaforamento do processo para Belo Horizonte e pedido será analisado

Júri de médicos acusados de integrar "Máfia de Órgãos" é adiado 

Paulo Pavesi morreu durante atendimento médico em abril de 2000

Paulo Pavesi morreu durante atendimento médico em abril de 2000

Record Minas

A Justiça adiou o julgamento de quatro médicos acusados de integrar a "Máfia dos Órgãos" no Sul de Minas. Eles seriam julgados nesta quinta-feira (31) em Poços de Caldas, mas o juiz Narciso Alvarenga Monteiro de Castro decidiu cancelar o júri para que o Tribunal de Justiça de Minas Gerais avalie o pedido do Ministério Público de desaforamento do processo para Belo Horizonte.   

De acordo com o MP, os jurados podem ser influenciados ou ameaçados caso o julgamento seja realizado em Poços de Caldas, e acrescentou que eles não dispõem de proteção. Além disso, ele alegou que houve um "bombardeio" de comunicados da classe médica sobre o julgamento e isso poderia intimidar os jurados. 

Entretanto, o juiz já deixou uma nova data agendada, caso a Justiça negue o pedido de desaforamento para a capital mineira. Neste caso, o julgamento acontecerá em 9 de outubro e todas as testemunhas já ficam convocadas. Mas, caso o TJMG aceite a solitação do MP, uma nova data será marcada para o júri em BH.

Entre os réus estão o nefrologista Álvaro Ianhez, o anestesiologista Marco Alexandre Pacheco da Fonseca, o intensivista José Luiz Bonfitto e o neurocirurgião José Luiz Gomes da Silva. Eles respondem pela retirada dos órgãos ainda durante o tratamento do menino Paulo Veronesi Pavesi, em abril de 2000, caso que ganhou repercussão internacional e provocou o fechamento da central clandestina MG Sul Transplantes.   

Leia mais notícias no R7 MG

Segundo denúncia do Ministério Público, os profissionais seriam responsáveis pelo atendimento a Pavesi, que caiu durante uma brincadeira no prédio onde morava, mas ele teve o tratamento negligenciado para que a retirada dos órgãos fosse possível.  

Em fevereiro de 2014, os médicos Sergio Poli Gaspar, Celso Roberto Frasson Scafi e Cláudio Rogério Carneiro Fernandes foram condenados, respectivamente, a 14, 17 e 18 anos de prisão pelo crime de remoção de órgãos de Paulo Pavesi, com o agravante de prática em pessoa viva, resultando em morte. Eles chegaram a ser presos, mas receberam habeas corpus e cumprem medidas cautelares, como a proibição de trabalhar na rede pública, enquanto aguardam recurso.