Queda de barragem em minas
Minas Gerais Justiça começar ouvir testemunhas de ação sobre tragédia de Mariana

Justiça começar ouvir testemunhas de ação sobre tragédia de Mariana

As empresas Samarco, Vale, BHP Billinton e VogBR e outras 22 pessoas são rés no processo; rompimento da barragem de Fundão deixou 19 mortos

Tragédia deixou 19 mortos e centenas de desabrigados

Tragédia deixou 19 mortos e centenas de desabrigados

Getty Images / Christophe Simon/ AFP

A Justiça Federal em Ponte Nova, na Zona da Mata Mineira, começou a ouvir, nesta quarta-feira (12), as testemunhas de acusação do processo criminal que investiga o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, na região central de Minas Gerais. A maior tragédia ambiental do Brasil aconteceu em 2015 e deixou 19 mortos.

Ao todo, 22 testemunhas de acusação foram convocadas pelo MPF (Ministério Público Federal) e devem ser ouvidas nos próximos dias. Segundo o órgão, na primeira audiência os juízes devem ouvir quatro pessoas. São elas: 

    • Um representante da empresa de engenharia, que prestava serviços para a Samarco, que teria conhecimento de trincas na estrutura;

    •  Um encarregado terceirizado da mineradora que estava no local no momento do rompimento;

    • Um representante do DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral) que fez vistoria no local após o estouro;

    •  Um membro do órgão externo de consultoria da Samarco que cuidava da segurança da barragem.

O processo ficou suspenso por três meses, em 2017, após o diretor da Samarco, Ricardo Vescovi, alegar o uso ilícito de grampos telefônicos nos autos. No entanto, o caso foi retomado em novembro do mesmo ano, por decisão do juiz federal Jacques de Queiroz Ferreira.

Ao todo, 22 pessoas e as empresas Samarco, Vale, BHP Billiton e VogBR se tornaram rés na ação. Com exceção de um engenheiro da VogBR, todos os denunciados foram acusados por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de que o crime aconteça. Os envolvidos também respondem por apresentação de falso laudo ambiental, inundação, desabamento, lesão corporal e crimes ambientais diversos.

Tragédia

Além dos mortos, o rompimento da barragem de Fundão deixou mais de 300 famílias desabrigadas nos distritos de Gesteira, Paracatu de Baixo e Bento Rodrigues. A lama de rejeitos atingiu o Rio Doce, que deságua no Oceano Atlântico, no Espírito Santo.