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Minas Gerais Justiça decreta prisão preventiva de suspeita de vacinar empresários

Justiça decreta prisão preventiva de suspeita de vacinar empresários

Falsa enfermeira permaneceu em silêncio durante interrogatório na Polícia Federal, em BH; vacinados podem ser indiciados

  • Minas Gerais | André Carvalho, da Record TV Minas

Cláudia foi presa na terça-feira (30)

Cláudia foi presa na terça-feira (30)

Reprodução / Record TV Minas

A Justiça converteu de temporária para preventiva, nesta quinta-feira (1º), a prisão da falsa enfermeira que teria aplicado vacinas contra a covid-19 em um grupo de empresários e políticos em Belo Horizonte.

A cuidadora de idosos Cláudia Mônica Pinheiro Torres de Freitas seria a mulher de jaleco vista em um vídeo aplicando supostos imunizantes em um grupo de pessoas na garagem de ônibus da empresa Coordenadas, ligada ao Grupo Saritur.

Ele estava presa temporariamente desde a última terça-feira (30), quando a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na casa dela, do filho Igor Torres de Freitas, e em uma clínica de Belo Horizonte. A mulher que se passou por enfermeira também seria a responsável pela venda dos imunizantes.

Segundo o delegado Rodrigo Morais Fernandes, coordenador do inquérito, Cláudia segue a orientação do seu advogado de permanecer em silêncio e não comentou sobre o assunto durante os interrogatórios realizados.

Apesar da investigação caminhar para a prática de fraude, porque até o momento não há indícios que a mulher tenha tido acesso a vacinas contra a covid-19, o delegado disse que as pessoas que foram vacinadas também responderam por alguma prática ilegal.

— Eles organizaram uma vacinação em um local sem rigor sanitário algum, colocando a vida das pessoas que foram até o local, em risco.

Os policiais ainda trabalham com outras duas linhas de investigação: importação ilegal de imunizantes e a de desvio de imunizantes pelo Ministério da Saúde.

Investigação

Mais de oitenta pessoas participaram da vacinação clandestina na garagem. Isso foi o que falaram os empresários Robson e Rômulo Lessa em depoimento para a Polícia Federal, nessa semana.

A vacinação teria ocorrido em dois dias, na segunda-feira (23) e na terça-feira (24), dia em que vizinhos verificaram uma movimentação estranha na garagem e passaram a gravar vídeos da vacinação, na calada da noite, explica o delegado.

— Temos uma lista de 57 nomes, mas os empresários confirmaram que mais de 80 pessoas participaram da vacinação na garagem, porque elas foram feitas em duas etapas.

Os políticos Clésio Andrade e Alencar da Silveira Júnior não aparecem na lista de pessoas imunizadas mas o delegado não descarta, ainda, hipótese dos dois terem sido vacinados.

— Eles não estão na lista apreendida, mas isso não quer dizer que eles não participaram da imunização.

Os irmãos Lessa ainda confirmaram que organizaram a vacinação na garagem da empresa e apresentaram para os delegados comprovantes de depósitos feitos na conta de Igor Torres de Freitas, filho de Cláudia. Em depoimento à PF, Igor negou que recebia o dinheiro das doses aplicadas. O valor por pessoa, segundo as investigações era de R$600,00, por dose do imunizante.

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