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Minas Gerais Livro traz detalhes da investigação sobre barragem em Brumadinho

Livro traz detalhes da investigação sobre barragem em Brumadinho

Jornalistas Murilo Rocha e Lucas Ragazzi se basearam nas apurações da Polícia Federal para explicar detalhes da tragédia, que completa nove meses

Bombeiros continuam as buscas na área atingida pela lama

Bombeiros continuam as buscas na área atingida pela lama

Divulgação / SOS Mata Atlântica / Gaspar Nóbrega

Na semana em que o rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, completa nove meses, os jornalistas Murilo Rocha e Lucas Ragazzi lançam, pela editora Letramento, em Belo Horizonte, o livro-reportagem "Brumadinho: A Engenharia de Um Crime". Em novembro, estão previstos lançamentos nas cidades de Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. 

A obra parte da investigação realizada pela Polícia Federal em Minas Gerais para destrinchar os outros elementos que cercam a tragédia que deixou 271 vítimas, das quais 18 permanecem desaparecidas até hoje. 

— À medida em que começamos a investigar, ler partes do inquérito, documentos, nós fomos procurar as vítimas, trabalhadores. Aprofundamos muito na questão técnica, nas leis ambientais e, com isso, o livro cresceu. 

A ideia de escrever o livro-reportagem partiu de conversas dos jornalistas com o então superintendente regional da Polícia Federal, Rodrigo Melo Teixeira. À época, chamou a atenção de Teixeira indícios de que funcionários da mineradora Vale e da Tüv Süd teriam usado e falsificado documentos para atestar a estabilidade da barragem.

As descobertas da Polícia Federal resultaram na abertura do primeiro inquérito, em setembro deste ano, quando 13 pessoas foram indiciadas por falsidade ideológica e uso de documentos falsos.

Murilo trabalhou na elaboração do roteiro e, junto com Ragazzi, nos meses seguintes, dedicou tempo para aprofundar em entrevistas com os delegados envolvidos na investigação, conversas com familiares de vítimas e autoridades, além da leitura de documentos e partes do inquérito. 

Divulgação

— A espinha dorsal do livro é a investigação da Polícia Federal. É um livro reportagem investigativo sobre as possíveis causas do rompimento da barragem. Mas também acabamos contextualizando o que aconteceu no intervalor entre o rompimento em Mariana (em 2015), e Brumadinho. 

A obra contribui para a discussão sobre a responsabilidade e segurança da atividade da mineração que, segundo Murilo, é um setor que se autorregula, o que ficou evidente com as duas tragédias em Minas Gerais. 

— O Estado nao tinha estrutrura nenhuma para fiscalizar e acabava carimbando aquilo ali. 

Vale sabia

Uma das discussões trazidas pelos autores é que, pelo menos desde novembro de 2017, a Vale, responsável pela barragem da mina Córrego do Feijão, que se romperia um ano e três meses depois, sabia que a situação da estrutura estava abaixo do fator mínimo de segurança exigido. 

— A Vale até se reúne com empresas para tentar elevar esse fator de segurança , mas não tomam nenhuma medida de segurança, não retira o centro administrativo daquele local, por exemplo. 

Lançamento

O livro "Brumadinho: A Engenharia de Um Crime" será lançado em Belo Horizonte em duas datas. Nesta quarta-feira (23), às 19h, no Teatro da Assembleia (Rua Rodrigues Caldas, 30 - Santo Agostinho), e no sábado (26) na Livraria da Rua (Rua Antônio de Albuquerque, 913, no bairro Funcionários) a partir das 11h.