Marília Mendonça

Minas Gerais Marília Mendonça: torres de transmissão não tinham sinalização

Marília Mendonça: torres de transmissão não tinham sinalização

Avião da cantora se chocou com cabo de alta-tensão antes de cair; Cemig diz que torres estavam fora da área de segurança

  • Minas Gerais | Do R7

Avião caiu em região de cachoeira em Piedade de Caratinga, no interior de Minas Gerais

Avião caiu em região de cachoeira em Piedade de Caratinga, no interior de Minas Gerais

Divulgação / RecordTV Minas / Wagner Marzagão

Os cabos de alta-tensão das torres de transmissão de energia da Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) na região de Piedade de Caratinga, a cerca de 300 quilômetros de Belo Horizonte, não estavam sinalizados. O avião que levava a cantora Marília Mendonça e outras quatro pessoas se chocou com um desses cabos antes de cair em uma cachoeira na zona rural da cidade. Todos os cinco ocupantes morreram na queda da aeronave nesta sexta-feira (5). 

Moradores que vivem na região do acidente confirmaram à reportagem da RecordTV Minas que reclamam frequentemente da falta de sinalização na região. É comum que os cabos de alta-tensão sejam sinalizados com esferas coloridas (vermelhas, amarelas ou alaranjadas) para orientar os pilotos de aeronaves sobre as torres de transmissão no local e, assim, evitar acidentes. 

A Cemig confirmou que a aeronave se chocou com um dos cabos de alta-tensão.  

"A Cemig informa que o avião bimotor que transportava a cantora Marília Mendonça e outras quatro pessoas atingiu um cabo de uma torre de distribuição da companhia no município de Caratinga", afirmou, em nota, a assessoria de imprensa da empresa, que disse, ainda, lamentar o acidente, que resultou na morte das cinco pessoas a bordo.

Torre da Cemig na região

Torre da Cemig na região

Reprodução

Relatório

Como revelou o R7, relatórios do sistema de informações aeronáuticas do aeroporto de Ubaporanga, em Caratinga, onde o avião deveria pousar, apontavam a existência de torres de alta-tensão em montagem que ofereciam risco à aproximação de aeronaves.

Divulgados nos dias 3 de julho e 13 de setembro, os relatórios, chamados Infotemp, informavam que as torres que estavam sendo instaladas violavam o plano básico de zona de proteção do aeroporto de Ubaporanga.

A Cemig garante que as torres de transmissão estão instaladas fora da zona de proteção do aeroporto. Em um comunicado enviado à reportagem, a companhia informou que segue as diretrizes do Departamento de Controle do Espaço Aéreo, do Comando da Aeronáutica, e que segue, "rigorosamente, as Normas Técnicas Brasileiras e a regulamentação em vigor em todos os seus projetos". 

"A Cemig esclarece que a Linha de Distribuição atingida pela aeronave prefixo PT-ONJ, no trágico acidente de ontem, está fora da zona de proteção do Aeródromo de Caratinga, nos termos de Portaria específica do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), do Comando da Aeronáutica Brasileiro", diz o comunicado.  

Ainda de acordo com a Cemig, as investigações vão esclarecer as causas do acidente.

"A Companhia novamente lamenta esse trágico incidente e se solidariza com parentes e amigos das vítimas", conclui o texto.

A reportagem entrou em contato com a Cemig, que informou que a sinalização só é exigida para torres em "situações específicas", o que não era o caso da região.  

"A sinalização por meio de esferas na cor laranja é exigida para torres em situações específicas, entre elas estar dentro de uma zona de proteção de aeródromos, o que não é o caso da torre que teve seu cabo atingido", afirmou a companhia em nota.

Cemig diz que as torres de transmissão estão instaladas a 1 km da zona de proteção

Cemig diz que as torres de transmissão estão instaladas a 1 km da zona de proteção

Reprodução/Cemig

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