Novo Coronavírus

Minas Gerais Material didático da rede estadual é revisado após críticas de educadores

Material didático da rede estadual é revisado após críticas de educadores

Professores criticaram estrutura, erros e até plágio nos Planos de Estudos Tutorados, material base do ensino remoto da educação pública em Minas

Secretária explicou que erros já haviam sido corrigidos

Secretária explicou que erros já haviam sido corrigidos

Divulgação / Governo de MG / Luiz Santana

A secretária de Estado de Educação de Minas Gerais, Julia Sant’Anna, explicou, nesta quarta-feira (10), que os materiais didáticos enviados aos alunos da rede estadual, que estão tendo aulas não-presenciais, foram corrigidos. 

Os PETs (Planos de Ensino Tutorados) elaborados pela pasta são a base do regime remoto adotado pela rede estadual de ensino para seguir com as atividades escolares durante a pandemia do novo coronavírus, mas, desde que foi lançado, vinha recebendo críticas de professores e pedagogos. 

Profissionais da educação apontaram que o material trazia erros gramaticais, problemas no conteúdo e até possível plágio. A SEE-MG (Secretaria de Estado de Educação) esclareceu que se tratavam de questões pontuais, mas não mencionou quais pontos foram alterados. 

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Júlia Sant’Anna destacou que a equipe já estava preparada para possíveis revisões no material, mas que tais adequações indicadas foram realizadas há mais tempo.

— Ficamos um pouco surpresos com o fato desses ajustes já terem sido realizados. É um material muito grande, que foi feito de uma forma muito rápida em um contexto que ninguém estava esperando viver. Essas situações veiculadas foram identificadas logo no início e corrigidas.

A secretaria passou a disponibilizar anexos bibliográficos aos PETs em seus canais oficiais como complemento do conteúdo. Além disso, o material conta, agora, com figuras, ilustrações e textos para melhor a compreensão dos conteúdos no lugar de indicação de links.

De acordo com a SEE-MG (Secretaria de Estado de Educação), a proposta é apresentar um formato "próximo do material no qual o professor elaboraria para trabalhar com seus estudantes em sala de aula".

Ao todo, foram preparadas 38 apostilas voltadas para as diferentes etapas da educação, com mais de duas mil páginas de conteúdo, que foram entregues digitalmente a 1,3 milhões de alunos. Segundo a pasta, outros 385.809 receberam a versão impressa por não ter acesso à internet.

A SEE/MG disponibiliza um canal de comunicação para sugestões e contribuições ao material, que podem ser enviadas pelo e-mail escoladeformacao@educacao.mg.gov.br.

Divergências

Na segunda-feira (8), uma audiência pública foi realizada na ALMG (Assembleia Legislativa de Minas Gerais) para discutir as críticas de professores, pesquisadores, pais e alunos ao material disponibilizado pela SEE para as teleaulas. 

A principal queixa é de que a modalidade deixa de fora mais de 700 mil estudantes que não podem acompanhar as aulas remotas, seja pela falta de acesso à internet, dispositivos eletrônicos adequados ou ao sinal da Rede Minas de Televisão, por onde são transmitidas as aulas. 

Entre outras ponderações, docentes da rede estadual de educação apontaram os erros materiais e as inequações do PET, afirmando ser um projeto "feito de modo açodado, improvisado, que joga toda a responsabilidade nas costas dos diretores e professores". A professora Karina Fonseca Soares Rezende, uma das participantes da assembleia, já havia denunciado os problemas das teleaulas nas redes sociais no fim de maio. 

De acordo com a ALMG, o encontro gerou requerimentos com questionamentos e pedidos de providências à Secretaria de Educação.

*Estagiária do R7 sob a supervisão de Lucas Pavanelli

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