Minas Gerais Ministério Público pede reabertura de processo de racismo no Mineirão

Ministério Público pede reabertura de processo de racismo no Mineirão

Um dos torcedores teria chamado um segurança de "macaco" durante partida; "olha sua cor" disse outro homem à vítima

Vídeo filmou os xingamentos durante partida

Vídeo filmou os xingamentos durante partida

Reprodução/Twitter/Observatório Racial do Futebol

O MPMG (Ministério Público de Minas Gerais) entrou com recurso, nesta terça-feira (25), contra decisão da Justiça que extinguiu o processo contra dois irmãos que teriam praticado injúria e racismo contra um segurança durante uma partida de futebol no estádio Mineirão, na região da Pampulha, em Belo Horizonte.

O caso aconteceu em novembro de 2019. Um vídeo gravado no local mostra o momento em que Fábio Countinho foi chamado de "macaco" por um dos homens. O outro teria gritado com o segurança: "olha sua cor".

Em sua decisão, a Justiça suspendeu a ação alegando que os fatos narrados se trataram de injúria racial e não racismo, assim, o Judiciário alega que deveria ter sido registrada uma queixa-crime e não uma denúncia, como foi feito.

Segundo o MP, o homem que chamou a vítima de "macaco" cometeu injúria racial, crime que atualmente "se procede mediante representação da vítima, conforme previsto no Código Penal, e não mediante queixa, como consignado na sentença", conforme explica o promotor  de Justiça Mário Konichi Higuchi.

— Ao decidir extinguir o processo, a juíza se baseou em norma que não vigora desde setembro de 2009”, explicou o promotor.

Higuchi ainda destacou que o torcedor que gritou "olha a sua cor" cometeu crime de racismo já que o preconceito estaria ligado a todas as pessoas pretas.

A reportagem tenta contato com a defesa dos investigados.

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