Novo Coronavírus

Minas Gerais Mortes por síndrome respiratória em MG aumentam 4,5 vezes em 2020

Mortes por síndrome respiratória em MG aumentam 4,5 vezes em 2020

Dados da Secretaria de Saúde também indicam que o número de internações quintuplicou; casos são considerados como suspeitos de covid-19

Assim como covid-19, síndrome causa falta de ar severa em pacientes

Assim como covid-19, síndrome causa falta de ar severa em pacientes

Christophe Petit Tesson / EPA - EFE - Arquivo

O número de mortes causadas por SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) em Minas Gerais nos quatro primeiros meses de 2020 é 4,5 vezes maior que o registrado no mesmo período em 2019.

O Ministério da Saúde considera todos os casos da enfermidade como suspeitos de covid-19 devido à semelhança nos sintomas, que passam por falta de ar severa e problemas pulmonares.

Os dados da SES-MG (Secretaria de Estado de Saúde) enviados ao R7 mostram que o Governo de Minas registrou 136 óbitos provocados pela síndrome entre janeiro e abril de 2019. Já entre o primeiro dia de 2020 e esta terça-feira (28), foram 610 ocorrências.

Leia mais: Casos de Covid-19 podem ser 7 vezes maiores

O balanço também indica um aumento de cinco vezes no número de internações provocadas pela doença respiratória aguda no período analisado. Foram 5.465 este ano, frente a 1.080 em 2019. As notificações de 2020 também já são maiores que o acumulado de todo ano de 2019. Nas hospitalizações, o aumento foi de 269% e nas internações, 5%.

Explicações

O médico infectologista Estevão Urbano, membro do comitê que monitora o coronavírus em Belo Horizonte, destaca que todo caso de doença respiratória grave em que não é detectada a causa do problema é classificado como SRAG, incluindo infecções por coronavírus, influenza, pneumonia viral ou bacteriana.

O especialista acredita que a variação no número de ocorrências pode estar relacionada a uma mudança de comportamento dos médicos que, diante à atual pandemia, podem estar caracterizando como SRAG as mortes que antes colocariam como “causa indefinida”.

— Os médicos talvez tenham colocado esse diagnóstico mais vezes que em outros anos porque agora, com o reforço na divulgação dos critérios de SRAG, eles estão de olho nos sintomas e com esse nome na cabeça.

Urbano, contudo, não descarta que estes casos podem estar relacionados a contaminações pelo novo coronavírus.

— Como não chegamos à causa dos sintomas da doença, talvez tenhamos um aumento real de contaminações por coronavírus ou outros vírus e bactérias que não estão sendo detectados por nós.  Por isto estes números são um sinal amarelo para nós.

Segundo o Governo de Minas, os pacientes internados e óbitos causados por síndrome respiratória aguda grave estão entre os que são testados para coronavírus no Estado.

Além deste grupo, os exames são realizados em profissionais da saúde, hospitalizados em situação crítica que apresentem sintomas. Já em relação a moradores de asilos e detentos, o balanço é feito por amostragem.

Até o momento, Minas contabiliza, oficialmente, 1.758 contaminações e 80 mortes pela covid-19.

Governo acompanha

A Secretaria de Estado de Saúde informou que monitora os registros de SRAG desde 2009 e, embora 2020 tenha registrado um aumento de casos, a situação não “refletiu linearmente na sobrecarga do sistema público de saúde”.

Por meio de nota, a pasta ressaltou à reportagem que “ainda não há como avaliar com absoluta certeza” o que motivou a alta nas notificações.

A equipe de saúde, porém, confirmou que as hipóteses apresentadas pelo médico Estevão Urbano estão entre as explicações que seguem no radar do governo.

Veja a íntegra da nota da SES:

“Quanto ao aumento de casos, há muitas hipóteses que, neste momento, ainda não há como avaliar com absoluta certeza, como por exemplo, a maior sensibilidade em notificar casos de SRAG hospitalizada, a circulação de outros vírus sazonais que cursam com SRAG e a circulação do SARS-CoV-2 na população mundial.

A SRAG é a classificação de uma manifestação sindrômica e é atribuída a outros agentes causadores. Contudo, a classificação por associação ao SARS-CoV-2 só pode ser atribuída por meio de evidência laboratorial ou por evidencia clínico epidemiologia de um caso que esteja diretamente vinculada a outro caso laboratorialmente confirmado.
 

Importante destacar, ainda, que diversas doenças respiratórias podem evoluir com quadro de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), desde uma asma, bronquite, passando por uma pneumonia, tuberculose, intoxicação exógena, edema agudo de pulmão, câncer, além das gripes e do próprio coronavírus.  Ou seja, qualquer quadro de insuficiência ou dificuldade respiratória aguda que apresente febre (ou sensação febril) e ficou hospitalizado ou que evoluiu para óbito por SRAG independentemente de internação, é notificado como “SRAG hospitalizado”. Sendo assim, o caso grave de SRAG, que tiver indicações clínicas e epidemiológicas para coronavírus será testado para Covid-19. 

 
Além disso, informamos que a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) acompanha as notificações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em Minas desde 2009. Em 2020, tivemos um número maior de notificações, mas esse aumento não refletiu linearmente na sobrecarga do sistema público de saúde. A elevação do número de notificações por SRAG é justificada pelo impacto que a Covid- 19 causa nos serviços de saúde, conforme dados e análises epidemiológicas divulgadas rotineiramente. Contudo, a SES-MG segue vigilante e atenta a possíveis modificações.”

Últimas