tragédia brumadinho
Minas Gerais Mulher resgatada por corda vive luto da morte da família na lama

Mulher resgatada por corda vive luto da morte da família na lama

Paloma Prates da Cunha, de 22 anos, teve o resgate filmado logo após ter a casa levada com o filho de um ano, o marido e a irmã, em Brumadinho

Paloma perdeu o filho de 1 ano, marido e a irmã

Paloma perdeu o filho de 1 ano, marido e a irmã

Record TV Minas

A diarista Paloma Prates da Cunha, de 22 anos, ainda tenta colocar sentido na vida que restou depois de perder o filho de 1 ano, o marido e a irmã levados pela lama de rejeitos, em Brumadinho, no dia 25 de janeiro. As imagens do resgaste da jovem diarista foram capturadas segundos depois que sua casa foi levada pelo rompimento da barragem, com toda a família descansando após o almoço.

Paloma, hoje ao lado dos pais, que também enfrentam o luto por terem perdido filha, neto e o genro, se recupera dos ferimentos graves que a deixou internada por cinco dias. Ela garante que funcionários da mineradora tinha tranquilizado moradores sobre a segurança da estrutura que rompeu matando 166 pessoas.

— Nenhum levantamento foi feito, até quatro meses antes. A gente perguntava a eles se havia algum risco. Eles passavam uma segurança para gente, dizendo: “Não, pode ficar tranquila, a sirene vai tocar se acontecer qualquer coisa”.

A mãe de Paloma, a auxiliar de cozinha Lucilene Prates Xavier diz que a alegria de viver está suspensa. Não consegue nem olhar para as coisas da filha caçula, que morreu na tragédia. Os medicamentos estão ajudando Lucilene a viver um dia após o outro.

— Minha ficha ainda não caiu. Eu acho que quando ela cair mesmo, realmente, eu não sei o que eu vou fazer. Eu estou fazendo tratamento com psicólogos, muitos medicamentos, para poder me manter em pé. Para mim, não tem lugar para eu ficar, me sentar. As coisas da minha filha não tenho coragem de ver. Eu sei que ela está com Deus lá em cima, mas eu queria ela perto de mim, gente.

Momento de terror

Paloma estava sentada na cama, logo após almoçar com a família, por volta das 12h30, do dia 25 de janeiro. Ela conta que ouviu um estrondo e perguntou ao marido: “Mô, o que é isso?”. Foram as últimas palavras ditas pela jovem, antes de ser arrastada pela lama.

Veja o momento do resgate:

— Parecia uma água vindo, me esmagando. Eu perdi o folêgo, e quando levantei, eu estava perto da ponte. Eu olhei e falei “meu Deus, é a barragem”.

Paloma teve o esterno fraturado, nariz quebrado e muitos ferimentos pelo corpo. Depois de emergir da lama, um homem que passava jogou uma corda para tentar salvá-la. Segundo ela, um momento de sorte que só tem a agradecer a Deus.