Novo Coronavírus

Minas Gerais Número de mortes por covid em BH seria 5 vezes maior sem isolamento

Número de mortes por covid em BH seria 5 vezes maior sem isolamento

Levantamento do comitê de combate à pandemia na cidade aponta que ao menos 2.055 vidas foram poupadas com as medidas de distanciamento

  • Minas Gerais | Pablo Nascimento, do R7

Capital decretou fechamento do comércio em março

Capital decretou fechamento do comércio em março

Divulgação / PBH / Adão de Souza

O número de mortes provocadas pelo novo coronavírus em Belo Horizonte seria quase cinco vezes maior caso a prefeitura não tivesse adotado as medidas de isolamento social realizadas.

Os dados são do comitê de enfretamento à pandemia na capital mineira, repassados ao R7 nesta sexta-feira (31). Eles mostram que o distanciamento social poupou a vida de ao menos 2.055 pessoas.

Belo Horizonte foi uma das primeiras capitais do Brasil a fechar o comércio, no dia 20 de março. A prefeitura chegou a começar um processo de reabertura em maio, mas recuou diante o avanço do vírus na cidade.

A cidade tem até o momento 528 óbitos causados pela doença e 20.594 infectados, o que a coloca em primeiro no ranking de casos no Estado. Mesmo assim, o infectologista Unaí Tupinambás, membro do comitê de combate à covid-19, avalia que o novo fechamento, realizado no dia 29 de junho, foi "fundamental" para mudar a rota da pandemia.

— Se não fosse isto, estaríamos em colapso hoje. Não tenho dúvidas. Seria como ocorreu em outras capitais.

O isolamento adotado também serviu para segurar o ritmo da transmissão da doença. O índice, que quando menor que 1 representa redução, estava em 1,2 no final de junho. Nesta sexta-feira ele chegou a 0,9. 

Tupinambás ressalta, no entanto, que o índice precisa se manter neste nível ou menor por, pelo menos, mais sete dias para que se perceba um resultado.

— Os números estão estabilizando e há uma clara tendência de queda de casos, mas temos que manter o isolamento para ficarmos mais seguros, principalmente em relação à ocupação de leitos.

Atualmente 87,3% das UTIs (unidades de tratamento intensivo) da cidade estão ocupadas, o que é considerado alerta vermelho para a prefeitura. Já nos leitos para tratamentos mais simples, o acupação está em 69,6%.

Reabertura

Os números coletados fizeram os médicos do comitê orientarem a prefeitura a aguardar um pouco mais antes de liberar o retorno do comércio na cidade. A Secretaria Municipal de Saúde apresentou o novo plano de retomada nesta sexta-feira, mas ainda sem previsão para entrar em vigor.

Para Tupinambás, a decisão vai poupar mais vidas e garantir maior segurança à cidade durante a reabertura. O médico defende, entretanto, que a população precisa manter os cuidados básicos como higienização frequente das mãos e uso de máscaras.

— A gente não gostaria que tivesse morte alguma, mas com o isolamento evitamos mais de 2.000. Nós sabemos da crise financeira, que está presente na vida das pessoas, mas ao salvar vidas, a gente protege o comércio e a economia. Com certeza Belo Horizonte vai ser modelo de atuação.

A decisão da prefeitura desagradou comerciantes da cidade, principalmente grupos como o de lojistas que não abre as portas desde o fim de março. A CDL-BH (Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte) classificou como "cruel e desumana" a postura do prefeito Alexandre Kalil.

Paulo Solmucci, presidente da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), anunciou logo em seguida que vai acionar a Justiça para que os bares e restaurantes filiados à entidade possam reabrir.

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