Minas Gerais PF mira desembargadores de Minas e advogado durante operação

PF mira desembargadores de Minas e advogado durante operação

Geraldo Domingos Coelho e Paulo Cézar Dias são suspeitos de atuarem a favor de interesses do advogado Ildeu da Cunha Pereira, morto este ano

  • Minas Gerais | Ezequiel Fagundes, da Record TV Minas

Sede do TJMG foi alvo de buscas em operação nesta quarta-feira (18)

Sede do TJMG foi alvo de buscas em operação nesta quarta-feira (18)

Divulgação / TJMG / Rosana Magri

Os desembargadores Geraldo Domingos Coelho e Paulo Cézar Dias, do TJMG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais), são os alvos principais de uma operação da Polícia Federal em Belo Horizonte na manhã desta quarta-feira (18).

Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos desembargadores. De acordo com as investigações, a operação Cosme apura um suposto esquema envolvendo advogados que tinha como objetivo influenciar na solução e andamento de processos por meio do pagamento de vantagens indevidas e favores.

Durante a operação foram apreendidos computadores, celulares (inclusive os aparelhos dos dois desembargadores), documentos e cerca de R$ 50 mil. O dinheiro, em espécie, foi encontrado na casa do advogado Luiz Carlos de Miranda Faria, outro alvo da operação de hoje.

Dentre os endereços que foram alvos de buscas estão as casas dos dois desembargadores, a sede do TJ e até o haras do desembargador Paulo Cézar Dias.

Por causa do foro privilegiado dos desembargadores, os mandados foram autorizados pelo ministro Jorge Mussi, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), a pedido do Ministério Público Federal, em Brasília.

Investigação

A operação de hoje surgiu a partir da análise do celular do advogado tributarista Ildeu da Cunha Pereira Sobrinho, morto este ano vítima de um infarto. Ligado ao ex-senador Zezé Perrella e ao ex-publicitário Marcos Valério, Ildeu da Cunha Sobrinho já foi preso pela PF três vezes.

O aparelho foi apreendido, no ano passado, durante a operação Capitu, um dessobramento da Lava Jato, que desmantelou um suposto esquema no ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, envolvendo políticos do MDB, entre eles, o ex-ministro Antônio Andrade, ex-vice-governador de Minas Gerais, entre 2011 e 2014.

Indícios

Ao analisar o material apreendido na operação Capitu, os investigadores identificaram mensagens no telefone celular de Ildeu da Cunha que indicavam a prática de diversos delitos, sendo alguns com participação de desembargadores do TJMG.

Os fatos incluem pagamentos indevidos a um dos desembargadores para que ele pudesse intervir junto a colegas e até a autoridades de órgãos de outros Poderes  para a adoção de medidas de interesse dos envolvidos no esquema. Também revelam a existência de contratos superfaturados de prestação de serviços advocatícios.

O material investigado incluiu transcrições de mensagens entre os envolvidos, que evidenciam, entre outras irregularidades, conluio entre um dos magistrados e o advogado Ildeu da Cunha.

As conversas tratavam de estratégias jurídicas para, por exemplo, adiar o julgamento de processos na tribunal, pedido de interferência em demandas junto ao Executivo e até solicitação de reajuste salarial para uma sobrinha do desembargador, que trabalhava para um dos grupos empresariais beneficiado pelo esquema.

Além da capital mineira, estão sendo cumpridos mandados de busca e apreensão na cidade de São Paulo.

Outro lado

Em nota, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais informou que "confia nas instituições para a apuração da verdade e mantém o compromisso com a transparência e valores institucionais". O TJMG também informou que se coloca à disposição das autoridades para colaborar no esclarecimento dos fatos.

Não conseguimos localizar o advogado Luiz Carlos de Miranda, um dos alvos da operação.

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