Minas Gerais PF mira grupo que cobrava até R$ 94 mil por entrada ilegal nos EUA

PF mira grupo que cobrava até R$ 94 mil por entrada ilegal nos EUA

Agentes fazem buscas em Minas Gerais contra suspeitos de envolvimento no esquema; investigação aponta condições degradantes durante travessia

  • Minas Gerais | Pablo Nascimento, do R7

PF cumpre mandados em Caratinga (MG)

PF cumpre mandados em Caratinga (MG)

Reprodução / Prefeitura de Caratinga

A Polícia Federal cumpre três mandados de busca e apreensão, nesta quarta-feira (2), contra um grupo suspeito de promover a entrada ilegal de brasileiros nos Estados Unidos. As investigações indicam que a organização criminosa cobrava até US$ 18 mil (R$ 94.200,00 na cotação do dia) pelo serviço.

As buscas são feitas em Caratinga e Tarumirim, a 311 km e 291 km de Belo Horizonte, respectivamente. Os possíveis agenciadores foram identificados pelos representantes da Polícia Federal brasileira em  Washington, capital estadunidense.

Segundo a PF, o grupo promovia a entrada “massiva” no país norte-americano. O valor cobrado era referente a passagens aéreas, hospedagens, transportes terrestres e contratação dos coiotes, que são pessoas responsáveis pela travessia na fronteira. “Suas vítimas eram submetidas a condições degradantes durante a imigração”, explicou a corporação em nota.

O delegado Rodrigo Morais Fernandes, da PF, explica foram identificados quatro agenciadores em Minas Gerais que seriam os responsáveis por fazer contato com os atravessadores mexicanos. Um deles, inclusive, já foi indiciado pelo mesmo crime há nove anos.

Ainda segundo Morais, os negociadores obrigavam as famílias a assinarem promissórias se comprometendo a pagar a dívida, caso o migrante não quitasse os débitos. Uma destas notas, no valor de R$ 90 mil, foi encontrada com um dos investigados hoje.

— Eles cobravam R$ 30 mil adiantado e o restante parcelavam se houvesse sucesso na empreitada.

Ainda de acordo com os investigadores, os envolvidos no esquema vão responder pelos crimes de associação criminosa e de promover, com o fim de obter vantagem econômica, a entrada ilegal de brasileiro em país estrangeiro. Se condenados, eles podem pegar até 9 anos de prisão.

Morte

A polícia investiga, ainda, as causas da morte de um brasileiro que foi mandado de volta ao México ao ser pego na fronteira. O homem foi encontrado morto em uma área entre El Paso e o Texas, 11 dias depois. A PF acredita que ele tenha sido assassinado por não conseguir pagar a dívida com os atravessadores que seriam parceiros dos agenciadores de Caratinga.

Últimas