Coronavírus

Minas Gerais PF vê indícios de que empresários importaram vacina ilegalmente

PF vê indícios de que empresários importaram vacina ilegalmente

Investigação também indica "fortes" sinais de que houve, de fato, imunização irregular do grupo, em Belo Horizonte

  • Minas Gerais | Ezequiel Fagundes, da Record TV Minas, com Pablo Nascimento, do R7

Empresários negam as irregularidades

Empresários negam as irregularidades

Divulgação / Mércia Lemos / Carlos Melles

A Polícia Federal em Belo Horizonte já tem indícios de que um grupo de empresários e políticos mineiros realmente se vacinou contra a covid-19 e que houve importação clandestina de doses do imunizante da Pfizer.

A informação foi confirmada à reportagem por fontes ligadas à investigação, nesta sexta-feira (26), após a PF cumprir mandados de busca e apreensão nos endereços relacionados à empresa de ônibus onde teria ocorrido a vacinação e aos seus proprietários. Os agentes não encontraram doses dos medicamentos.

Após a revista Piauí denunciar o caso na última quarta-feira (24), agentes da Polícia Federal tiveram uma conversa inicial com funcionários da empresa e com um dos sócios, Robson Lessa, apotado pela reportagem como possível articulador da aplicação das doses, ao lado do irmão Rômulo Lessa.

Segundo a Justiça Federal, Robson "negou a ocorrência do fato noticiado na imprensa, mas, durante a entrevista, demonstrou nervosismo e apreensão". Na visita, os policiais ainda constataram que vídeos divulgados pelo R7 da suposta vacinação mostram exatamente "o setor médico da empresa"

"Acrescenta que o homem que aparece nas imagens se assemelha, emmuito, pela forma de andar e pelas características físicas, ao empresário Rômulo Lessa, que foi uma das pessoas entrevistadas pela Polícia Federal", ressaltou o juiz federal Rodrigo Pessoa Pereira, da 35ª Vara.

As informações já colhidas levaram Pereira a autorizar o cumprimento dos mandados de busca e apreensão e a quebra do sigilo de dados de computadores dos irmãos Lessa.

"Em que pese as diligências preliminares não terem obtido êxito, há fortes indícios de ocorrênciade importação ilegal de vacinas contra covid-19 e de realização de vacinação organizada porrepresentantes da empresa Saritur, que, segundo as investigações, são administradas por Robson e Rômulo Lessa", destacou o juiz.

Conforme apurado pelo R7, no galpão onde ocorreu a vacinação funciona atualmente as operações da Cia Atual Coordenadas, pertencente ao Grupo Saritur.

Os nomes dos donos da Saritur constam na Receita Federal como os diretores da Atual. O site da companhia de ônibus também afirma que ela pertence ao grupo. Ainda assim, representantes da Saritur afirmam que não têm ligação com a Coordenação Viação.

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