'Pouco confiáveis', diz relatório da Abin sobre dados da covid-19 em MG

Agência Brasileira de Inteligência diz que poucos testes e alta de óbitos por síndrome respiratória colocam em xeque o real número de contaminados

Número de mortes por SRAG acendem alerta

Número de mortes por SRAG acendem alerta

Reprodução/ SES-MG

Um relatório da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) classifica os dados sobre covid-19 de Minas Gerais como “pouco confiáveis” devido à baixa testagem de pacientes e ao crescimento de mortes por SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave).

As informações foram divulgadas pelo jornal "O Estado de S. Paulo", neste domingo (31), junto com outras constatações do serviço de inteligência sobre a pandemia. Os relatórios endereçados ao Ministério da Saúde e ao Planalto indicavam a necessidade do isolamento social para conter o coronavírus no país.

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De acordo com a publicação, Minas Gerais aparece como um exemplo de como “circunstâncias locais têm grande impacto sobre a subnotificação de casos”. O documento mostra que a Abin observou, no fim de abril, que o número de casos suspeitos era 30 vezes maior que o de confirmados.

A reportagem do R7 já mostrou que Minas está entre os Estados que menos testam os pacientes para coronavírus e que a própria SES (Secretaria de Estado de Saúde) estima que o número real de casos seja 10 vezes maior.

Outro dado indicado no texto é que entre janeiro e abril deste ano, as mortes por SRAG aumentaram 648%, em comparação ao mesmo período de 2019.

Procurada, a SES explicou que o crescimento dos registros de SRAG pode ter relação com os novos casos de covid-19 ou com a maior atenção dos médicos que passaram a classificar como SRAG óbitos que talvez, antes, colocariam como causa indefinida.

Sobre a baixa testagem, o Governo de Minas disse que segue orientação do Ministério da Saúde para examinar pacientes de grupos prioritários devido à escassez mundial de testes para covid-19. Entre eles, estão doentes em estado grave, profissionais da saúde e da segurança pública, detentos e a população que vive em asilos.

A SES destacou, ainda, que não há uma situação de descontrolada no Estado, uma vez que os hospitais não estão sobrecarregados. O hospital de campanha montado em Belo Horizonte, inclusive, não começou a ser usado por falta de demanda.

Veja a íntegra da nota da SES:

“De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), entre as hipóteses  para o aumento do número de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) estão a maior sensibilidade em notificar casos de SRAG, a circulação de outros vírus sazonais e, também, a circulação da covid-19 na população mundial.

Diversas doenças respiratórias podem evoluir com quadro de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), desde asma, bronquite, passando por pneumonia, tuberculose, intoxicação exógena, edema agudo de pulmão, câncer, além das gripes e do próprio coronavírus.  Ou seja, qualquer quadro de insuficiência ou dificuldade respiratória aguda que apresente febre (ou sensação febril), foi hospitalizado ou evoluiu para óbito por SRAG independentemente de internação, é notificado como “SRAG hospitalizado”. Assim, o caso grave de SRAG, com indicações clínicas e epidemiológicas para coronavírus, será testado para covid-19.

A SES-MG acompanha as notificações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em Minas desde 2009. Em 2020, tivemos um número maior de notificações, mas esse aumento não refletiu linearmente na sobrecarga do sistema público de saúde. Prova disso é que a ocupação de leitos de UTI, por pacientes acometidos por Covid-19 ou por suspeita da doença está em 9,86% da capacidade total do estado.

Em um cenário no qual a escassez de testes é uma realidade mundial, não só em Minas Gerais, a realização de testes, conforme orientação do Ministério da Saúde, é indicada para os seguintes grupos preferenciais;

A) Amostras provenientes de unidades sentinelas de Síndrome Gripal (SG) e Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG);
B) TODOS os casos de SRAG hospitalizados;
C) TODOS os óbitos suspeitos;
D) Profissionais de saúde sintomáticos (neste caso, se disponível, priorizar Teste Rápido e profissionais da assistência direta);
E) Profissionais de segurança pública sintomáticos (neste caso, se disponível, priorizar Teste Rápido);
F) Por amostragem representativa (mínimo de 10% dos casos ou 3 coletas), nos surtos de SG em locais fechados (ex: asilos, hospitais, etc);
G) Público privado de liberdade e adolescentes em cumprimento de medida restritiva ou privativa de liberdade, ambos sintomáticos.
H) População indígena aldeada.

Considerando esse universo, a demanda atual de amostras encaminhadas para o diagnóstico da covid-19 não tem excedido a capacidade laboratorial do Estado de processar os exames. Contudo,  um dos fatores que impede a ampliação da testagem é a alta demanda para aquisição, em contexto de disputa internacional, o que seria necessário para ampliar a testagem para outros públicos.

Com relação às notificações, mesmo não realizando exames em 100% dos casos notificados, a SES possui mecanismos de controle capazes de avaliar o real cenário da doença, como o acompanhamento diário dessas notificações por meio do Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (CIEVS- Minas). Importante observar que Minas é um dos estados com o menor coeficiente de óbitos por unidades da federação, de acordo com o Ministério da Saúde.

O que é SRAG:
A SRAG é a classificação de uma manifestação sindrômica e é atribuída a outros agentes causadores. Contudo, a classificação por associação ao SARS-CoV-2 só pode ser atribuída por meio de evidência laboratorial ou por evidência clínico epidemiológica de um caso diretamente vinculado a outro caso, laboratorialmente confirmado.”