Prefeitura de BH rebate fake news sobre caixões enterrados com pedra

Polícia procura pela mulher que aparece em vídeo dizendo que cidade está “infestada” de casos de covid e que corpos precisaram ser exumados

Vídeo viralizou em redes sociais

Vídeo viralizou em redes sociais

Reprodução / Redes sociais

A Prefeitura de Belo Horizonte rebateu, nesta sexta-feira (1°), o vídeo que circula na internet indicando que pedras foram encontradas dentro de caixões de vítimas de covid-19 que, supostamente, seriam exumadas. Segundo o Governo Municipal, nenhuma urna foi desenterrada na cidade e, assim, as informações são falsas. A Polícia Civil procura pela mulher que aparece nas gravações e vai investigar o caso.

As imagens foram filmadas dentro de uma loja de roupas e viralizaram em redes sociais. A mulher começa o vídeo se referindo a uma pessoa chamada  “Fernandes” e afirma que vai contar uma “última notícia”. Na sequência, a suspeita relata que a capital mineira estaria “infestada” de casos de coronavírus e que as próprias famílias estão enterrando os corpos.

“Mandaram ir lá e arrancar todos os caixões para fazer o exame para ver se é coronavírus mesmo. Sabe o que tem no caixão? Pedra e madeira. Um monte de caixão cheio de pedra e madeira. Palhaçada, não?” (sic), concluiu a gravação.

Ao afirmar que o relato é falso, a Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica, responsável pelos cemitérios de BH, destacou que todos os sepultamentos na cidade “são realizados exclusivamente, por profissionais específicos (coveiros)”.

O órgão ressaltou, ainda, que os corpos só são enterrados após apresentação do registro de óbito emitido pelos cartórios e de documentos que comprovam o vínculo do morto com a pessoa responsável pelos trâmites do sepultamento.

De acordo com a prefeitura, a “Procuradoria-Geral do Município está analisando as imagens para adotar as medidas legais cabíveis”.

Procurada pela reportagem, a Polícia Civil informou que vai instaurar um inquérito para apurar o caso. A corporação pediu, ainda, ajuda da população para localizar a responsável pela gravação. As denúncias podem ser feitas, anonimamente, pelo telefone 181.

Coronavírus em BH

Belo Horizonte é cidade de Minas Gerais com mais casos de covid-19. São 20 óbitos confirmados e 590 pessoas contaminadas, enquanto o Estado tem 88 óbitos e 1.935 infecções.

Ainda assim, segundo a prefeitura, a capital mineira não enfrenta um colapso no sistema de Saúde e funerário. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, os hospitais públicos têm 217 UTIs (unidades de tratamento intensivo) dedicadas a casos de coronavírus, mas apenas 100 delas estão ocupadas atualmente.

Além disto, a cidade ganhou um hospital de campanha instalado em um centro de convenções com 28 leitos de UTI e 740 de enfermaria. A estrutura, no entanto, ainda não é usada por falta de demanda.

Sobre o número de sepultamentos, a cidade teve uma média diária de 26 enterros realizados nos cemitérios públicos em abril deste ano – mesma quantidade registrada em abril de 2019. Comparando o mês de março dos dois anos, foi notado um aumento médio de 5 enterros por dia. Segundo a Fundação Municipal de Parques, a variação não foi suficiente para superlotar os atendimentos.

Desinformação

A Polícia Civil começou a investigar no início de abril outro vídeo falso gravado na região metropolitana de Belo Horizonte. Nele, um homem faz alarde sobre uma possível falta de alimentos na Ceasa (Centrais de Abastecimento de Minas Gerais S.A), em Contagem.

O responsável pela filmagem foi encontrado e convocado para prestar depoimento. O suspeito afirmou ao delegado que não teve intenção de criar tumulto na população, mas considerou que havia poucas mercadorias no local.

A investigação será finalizada nos próximos dias e o homem pode ser responsabilizado por provocar alarme falso, infração prevista no artigo 41 da Lei das Contravenções Penais. A pena varia de 15 dias a seis meses de prisão.

Veja a íntegra da nota da Prefeitura de BH:

"A Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica, esclarece que circula nas redes sociais um vídeo com falsas informações, no qual uma pessoa sugere que caixões de vítimas de covid-19 estariam sendo desenterrados nos cemitérios da capital. Tratam-se, portanto, de informações sem fundamento. A Procuradoria Geral do Município está analisando as imagens para adotar as medidas legais cabíveis.

Os sepultamentos em cemitérios públicos e privados na capital mineira são realizados, exclusivamente, por profissionais específicos (coveiros) de cada necrópole, utilizando equipamento de proteção individual e adotando as medidas sanitárias cabíveis. 

Nos cemitérios municipais de BH, os sepultamentos são feitos mediante a apresentação de atestado de óbito ou da guia de sepultamento emitida pelo cartório, em conformidade com as informações contida no atestado de óbito. Esta deve ser apresentado no cemitério, acompanhada de documentos pessoais do solicitante - familiar ou pessoa responsável pela solicitação -, que deve comprovar seu vínculo com o falecido (por meio de documentos pessoais e/ou procuração)."