Presidente do CRM afirma que não vai socorrer médicos estrangeiros em caso de erros

Entidade mineira promete "chamar a polícia" para médicos estrangeiros sem o Revalida

Presidente do CRM promete denúncias contra profissionais do "Mais Médicos"

Presidente do CRM promete denúncias contra profissionais do "Mais Médicos"

Conselho Regional de Medicina / Divulgação

O presidente do Conselho Regional de Medicina em Minas Gerais, João Batista Gomes Soares, polemizou nesta sexta-feira (23) ao orientar os profissionais brasileiros a não socorrem os colegas estrangeiros do Mais Médicos que porventura cometam erros durante atendimento.

O profissional também promete chamar a polícia para estrangeiros que trabalharem sem o registro emitido pela entidade. Sobretudo cubanos, que são maioria entre os selecionados pelo programa do Governo Federal. De acordo com a medida provisória que cria o Mais Médicos, a prova de revalidação não é necessária para a adesão ao programa.

— Não podemos ficar pegando na mão da pessoa e não vamos ficar ensinando o sujeito. O paciente é nossa obrigação e não temos direito humano, ético e legal de negar atendimento, mas socorrer o médico, não.

Ao defender que os médicos não vão "socorrer os cubanos" em casos de erros, João Batista Gomes diz que não haverá omissão de socorro. A explicação foi duramente criticada por demonstrar que a política de escolha dos médicos seria mais importante que o atendimento aos pacientes. Para o dirigente, a falta de apoio dos brasileiros será um reflexo para colegas estrangeiros que não tiverem realizado o Revalida.

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Soares questiona a estrutura do programa e ressalta que os profissionais estrangeiros "nem conhecem a lista de medicamentos" usada no Brasil. O treinamento de três semanas proposto pelo Executivo é "irreal".

Ele diz que os profissionais brasileiros devem "assegurar e documentar" caso se deparem com um caso de diagnóstico mal conduzido pelo colega estrangeiro. Na opinião do presidente, o Estado deverá ser responsabilizado em caso de danos para o paciente.

— O Governo quer fazer política com uma coisa que não é política. É ética e técnica.

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Exigências

Contrário à determinação da Medida Provisória 621/13, assinada pela presidente Dilma Rousseff que não obriga os profissionais a passarem pelo exame de revalidação de diploma no Brasil, Soares promete cumprir as exigências previstas na Lei 3.628, que regulamenta os requisitos para obtenção do registro médico. Além do exame, os estrangeiros vão ter que comprovar fluência no português para receberem o registro das mãos do conselho mineiro.

— Se um médico não tiver registro, isso significa no nosso entendimento exercício ilegal da profissão. Não há discriminação, pode ser de qual nacionalidade que for, ele vai ser denunciado.

O presidente do CRM-MG argumenta que a preocupação com a assistência médica à população do interior do País faz parte da classe médica. No entanto, ressalta que em algumas cidades "faltam um tanto de outras coisas, até padre" e que os profissionais pouco podem fazer sem a estrutura adequada.

Acompanhamento

O Ministério da Saúde informou que os estrangeiros devem fazer três semanas de curso de acolhimento e serão supervisionados por tutores das instituições de ensino superior do País. Se não forem aprovados em conhecimentos médicos e língua portuguesa, devem ser excluídos do programa. A carteira provisória entregue aos profissionais terá validade de três anos e será emitida pelos CRMs.