Preso por fraude em contratos de covid dizia ter Corvette exclusivo

"Olha esse meu. Dois anos que importei. Único do Brasil esse modelo", diz empresário preso em operação contra fraude dem contratos de máscaras

Corvette e duas Mercedes estão entre bens apreendidos

Corvette e duas Mercedes estão entre bens apreendidos

Reprodução

Conversas de WhatsApp apreendidas pela operação "Circuit Breaker", desencadeada nesta quinta-feira (23) pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), em Varginha, no Sul de Minas, revelam um estilo de vida ostentação dos envolvidos na organização criminosa que fraudava contratos de fornecimento de máscaras, luvas e testes de covid-19.

Em uma das conversas, um dos empresários que foi preso diz ser dono de um Chevrolet Corvette ZR1 exclusivo. "Olha esse meu. Dois anos que importei. Único do Brasil esse modelo", se gaba.

Além do superesportivo americano, o investigado tem duas Mercedes, uma lancha e um jet ski. Os bens, segundo aponta a investigação, estão registrados no nome da mulher do investigado. Em conversa em março deste ano, o empresário diz que está negociando a lancha por R$ 690 mil. “Minha lancha é zera, zera, zera, zera, não tem o que fazer (...) eu trouxe ela direto aqui para Guapé, só água doce (...) minha lancha é muito bem cuidada (...) eu tenho jet sky também...”.

Por decisão da Justiça, os investigados tiveram imóveis, dinheiro, joias e veículos bloqueados para garantia do pagamento de multa criminal e dano moral coletivo no total de R$ 15 milhões.

De acordo com a investigação, a empresa de Varginha contratada para fornecer máscaras de proteção contra o Coronavírus é sediada em local onde funciona um salão de beleza. Poucos dias depois do decreto que permitiu as contratações de emergência, com dispensa de licitação, foi solicitada a alteração do objeto social da empresa na Junta Comercial.

Três empresários de Varginha foram denunciados pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e fraudes na execução de contratos. Os delitos, de acordo com as investigações, ocorreram no contexto das contratações diretas (sem licitação) autorizadas em razão da pandemia. Eles estão presos preventivamente.

Durante as investigações, apurou-se a prática de corrupção ativa para a obtenção de contratos, assim como o consciente fornecimento de bens em desacordo com as especificações e de baixa qualidade.