Minas Gerais Procurador acusado de atirar em briga é proibido de exercer cargo

Procurador acusado de atirar em briga é proibido de exercer cargo

Com a medida, servidor continuará recebendo parte do salário; Bertoldo Filho teria feito os disparos contra uma professora

  • Minas Gerais | Pablo Nascimento, do R7

Caso ocorreu em outubro de 2020

Caso ocorreu em outubro de 2020

Reprodução/RecordTV Minas

O Conselho Superior do Minstério Público determinou, nesta terça-feira (17), a disponibilidade compulsória do procurador acusado de tentativa de homicípio por atirar contra duas mulheres em Belo Horizonte. Entre elas, estava uma professora com quem teve uma briga de trânsito.

Com a decisão, o servidor que já está afastado devido às investigações sobre o caso, ficará proibido de exercer a função no Ministério Público de Minas Gerais, mas continuará recebendo o salário proporcionalmente em relação ao período em que atua no órgão - 32 anos.

A defesa do procurador informou que vai recorrer da determinação junto à Camara dos Procuradores nos próximos dias. A medida só deve entrar em vigor caso os questionamentos sejam negados. Epaminondas Fugêncio, advogado de Bertoldo, criticou a análise do Conselho Superior.

— Foi uma decisão absolutamente desproporcional e sobre uma questão que ainda está sendo analisada. A gente aprende desde os primeiros anos da faculdade que ao se fazer uma avaliação precisamos considerar todo o contexto de uma história. O doutor Bertoldo tem 32 anos de Ministério Público e já ocupou cargos importantes no órgão. Também é necessário entender o contexto em que a situação ocorreu.

A reportagem procurou o MPMG para comentar a decisão, mas não teve retorno.

Relembre o caso

De acordo com o MP, na noite do dia 1º de outubro de 2020, o procurador de Justiça atirou contra duas mulheres, em um prédio na rua Santo Antônio do Monte, no bairro Santo Antônio, em Belo Horizonte, "assumindo o risco de matar". No final de maio, o órgão denunciou o procurador por tentantiva de homicídio. A Justiça ainda não avaliou se vai receber a denúncia.

O relatório aponta que Bertoldo conduzia o seu carro com sua capacidade psicomotora alterada, em razão do consumo de álcool, além de ter feito ofensas homofóbicas contra as vítimas, praticou injúria racial e as ameaçou. Ele ainda teria desobedecido ordem de guardas municipais.

Cinco dias após o caso, o então procurador-geral de Justiça, Antônio Tonet, o afastou do cargo de coordenador estadual de Defesa do Direito de Família, das Pessoas com Deficiência e dos Idosos.

Outros casos

O procurador de Justiça Bertoldo Matheus de Oliveira Filho também se envolveu em outros episódios de violência. Em 2019, ele discutiu com um homem em uma pizzaria e sacou a arma em um estabelecimento com várias crianças, depois que algumas reclamaram para os pais que ele estaria tirando fotos delas.

Últimas