Novo Coronavírus

Minas Gerais Profissionais da saúde pedem transparência na vacinação em MG

Profissionais da saúde pedem transparência na vacinação em MG

Um protesto foi realizado nesta quarta-feira (28), questionando a fila de prioridade para a imunização contra a covid-19

  • Minas Gerais | Akemí Duarte, da Record TV Minas

Técnicos de enfermagem e profissionais da saúde terceirizados, que atendem pacientes com a covid-19, fizeram um protesto nesta quinta-feira (28) criticando os critérios de vacinação, em Belo Horizonte.  O grupo questionou a organização da fila e a prioridade de imunização nos hospitais da Rede Fhemig (Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais).

De acordo com os funcionários do Hospital João 23 e o sindicato dos trabalhadores, profissionais dos setores administrativo, de manutenção e outros que não estão em contato direto com os pacientes com coronavírus já foram vacinados na unidade, enquanto outros da linha de frente ainda não receberam a dose. Carlos Martins, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Fhemig, reclama dos critérios.

— Nós achamos que isso é um absurdo, uma vez que, de acordo com os critérios do Ministério da Saúde e da prefeitura, apenas os profissionais de enfermagem que lidam diretamente com o vírus deveriam ter sido vacinados. 

Segundo Martins, o sindicato está apurando denúncias de que a diretoria da Fhemig também foi imunizada.

— É muito vago dizer que irão vacinar aqueles que são necessários. Queremos que eles apresentem uma lista, para que haja transparência e tenhamos certeza que ninguém está sendo beneficiado com isso.

Prefeitura irá começar a auditar as doses da vacina

Prefeitura irá começar a auditar as doses da vacina

Tânia Rêgo/Agência Brasil - 27.01.2021

Critérios e desorganização

A técnica de enfermagem Mônica Pacheco, que ainda não foi imunizada, questiona a prioridade.

— Nós, os técnicos em enfermagem, estamos diretamente em contatos com a covid-19. Temos dúvidas se essa vacina chegará para gente ou quando vai chegar.

Para Selma Maria de Carvalho, que também é técnica de enfermagem mas foi vacinada, há uma desorganização no processo. Ela afirma não ter recebido nenhum comprovante de que tomou a primeira dose.

— Eu fui vacinada e eles não entregaram nenhum comprovante. Eu levei meu cartão de vacina e não registraram nada nele. Se começou desorganizado, como vai ficar a situação até chegar a segunda dose? Será que vamos tomar após os 15 dias?

Denúnicas

Uma situação parecida foi registrada no Hospital Júlia Kubitschek. De acordo com Neuza Freitas, diretora executiva do Sindicato da Saúde, alguns membros da diretoria estariam pulando a fila da vacinação.

— Constatamos que diversos gestores, inclusive aposentados, estavam sendo vacinados. O que nos informaram é que havia uma determinação para que vacinassem todos os trabalhadores, sem exceção.

No Hospital Risoleta Neves, um diretor também tomou a primeira dose e gerou indignação. A prefeitura confirmou que todos os profissionais dos hospitais devem ser imunizados nesta primeira etapa.

Até o momento, nenhuma denúncia chegou à ouvidoria da Secretaria Municipal de Saúde. A prefeitura informou que irá auditar as doses da vacina que forem aplicadas, para evitar que pessoas furem a fila da vacinação.Segundo Fabiano Pimenta, subsecretário do Núcleo de Atenção à Saúde BH, isso facilitará a fiscalização. 

— Com esse cadastro, conseguimos saber se aquele profissional que faz parte de determinado hospital está em atividade em não. Se não estiver, é um sinal de alerta, que o sistema está desatualizado ou houve algum erro na aplicação da vacina.

Em nota, a Fehmig esclareceu que a vacinação no Hospital João XXIII segue a ordem de prioridade estabelecidade pelo plano nacional de imunização do Ministério da Saúde. Será dada preferência para os trabalhadores que lidam diretamente com paciente com suspeita covid-19, seja profissional da assistência, setores administrativos ou terceirizados.

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