Minas Gerais Psicóloga achada em porta-malas teria se matado, aponta inquérito

Psicóloga achada em porta-malas teria se matado, aponta inquérito

Investigação indica que o corpo da moradora de Pouso Alegre (MG) não tinha marcas de violência ou de tentativa de defesa

O inquérito da Polícia Civil sobre a morte da psicóloga encontrada morta no porta-malas do carro em Pouso Alegre, a 373 km de Belo Horizonte, aponta que Marilda Matias Ferreira dos Santos pode ter tirado a própria vida.

A Record TV teve acesso, com exclusividade, às 265 páginas da investigação, que ainda não está concluída. De acordo com o documento, não havia nenhum sinal de arrombamento na casa da vítima, onde o veículo estava estacionado. Os investigadores também não veem evidência de violência ou autodefesa no corpo de Marilda.

Marilda foi encontrada morta pelo marido em MG

Marilda foi encontrada morta pelo marido em MG

Reprodução / Record TV Minas

Segundo a perícia, as cordas e fitas usadas para amarrar os pulsos e os tornozelos da psicóloga estavam frouxas e "poderiam ter sido facilmente colocadas ou retiradas pela própria vítima".

Fábio Costa, advogado da família de Marilda, afirma acreditar na versão sugerida pelo inquérito.

— Ela teria condições de amarrar os pés, faria isso com as próprias mãos, e a amarração das mãos ela poderia fazer com a boca. Ela entrou em casa de ré, deixou o portão social aberto e ele nunca ficava aberto. Tudo isso poderia ter sido pensado

Disfarce

No dia do desaparecimento, a psicóloga trocou mensagens com o marido por um aplicativo relatando que havia estacionado o carro de ré pela primeira vez e pegaria uma bicicleta emprestada para pedalar até uma cidade vizinha, mas não levaria o celular.

Na mesma data, Marilda conversou com um amigo e relatou ter sido perseguida por usuários de droga no momento em que foi ao pet shop.

A suspeita dos policiais é que a história tenha sido inventada para disfarçar o ato de suicídio e, ao mesmo tempo, afastar as suspeitas que poderiam recair sobre o companheiro.

Medicamentos

A análise de uma amostra de sangue de Marilda aponta que a psicóloga ingeriu remédios para epilepsia e uma grande quantidade de bebida alcoólica horas antes de morrer. Aos investigadores, o marido da vítima informou que a companheira usava antidepressivos e remédios para dormir e, no início do ano, teria ficado cinco dias em coma após consumir álcool e medicamentos em excesso.

Documentos detalham investigação sobre morte

Documentos detalham investigação sobre morte

Reprodução / Record TV Minas

Os policiais também descobriram que a psicóloga teria tentado tirar a própria vida durante a adolescência e, segundo o depoimento de uma amiga, esses episódios eram ‘motivo de vergonha’ para Marilda, que se preocupava bastante com a opinião das pessoas.

Diário pessoal

Marilda escrevia seus segredos em diários pessoais, que foram apreendidos e analisados pela Polícia Civil. Em uma das anotações, a psicóloga relata não estar bem e afirma ter decidido se divorciar do marido, com quem viveu por 17 anos. Ela já teria conversado sobre o assunto com ele, que teria recebido a notícia de forma amistosa.

Segundo o depoimento de uma amiga, Marilda ‘idolatrava o marido’ e não queria simplesmente abandoná-lo. Ela teria confidenciado que queria ter outra família e ser mãe.

Segundo a irmã de Marilda, Tatiane dos Santos, a psicóloga sofria de depressão desde os 19 anos. O diagnóstico foi comprovado por meio de diagnósticos médicos e fichas de internação incluídos no inquérito.

Oficialmente, a Polícia Civil informa que a investigação segue em curso e mais detalhes serão divulgados em momento oportuno. Segundo o advogado da família, falta apenas a conclusão do laudo que vai apontar a causa da morte, além da análise final dos aparelhos celulares e do diário da psicóloga.

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