PTC pede desfiliação de candidato suspeito de agredir a ex em Minas

Decisão do partido em Sarzedo, na Grande BH, pode impedir continuidade de candidatura; Milton Rodrigues prestou depoimento na Polícia Civil

A direção do PTC (Partido Trabalhista Cristão) em Sarzedo, na região metropolitana de Belo Horizonte, abriu um processo interno pedindo a desfiliação do candidato a vereador Milton Rodrigues, suspeito de agredir a ex-namorada na cidade no dia 7 de outubro deste ano.

O diretório baseou a solicitação em uma possível infração ao código de ética do partido, ao supostamente cometer as agressões. A legenda tenta notificar Rodrigues sobre o processo. Em seguida ele terá cinco dias para se defender.

Candidato diz que não vai desistir da candidatura

Candidato diz que não vai desistir da candidatura

Divulgação / PTC

De acordo com o TRE-MG, caso o partido decida retirar o candidato da lista de filiados, Rodrigues pode ficar impedido de concorrer nas eleições deste ano, já que a legislação brasileira obriga os interessados em concorrer a um cargo politico estarem ligados a uma legenda até seis meses antes da votação.

Para que Rodrigues seja proibido de se manter na corrida, o PTC precisa concluir o processo de afastamento e notificar a Justiça Eleitoral sobre o resultado antes que o pedido de candidatura de Rodrigues seja analisado, o que ainda não há data prevista. Após o procedimento, a decisão vai ficar a cargo do juiz local.

O advogado Marcone Aureliano, que representa o PTC em Sarzedo, explicou ao R7 que após Rodrigues apresentar sua defesa, a decisão o afastamento será feita pelo presidente do partido na cidade.

— O partido não pode simplesmente desfiliá-lo. Temos que concluir o processo administrativo e ouvir o lado dele. Se ele for desfiliado, o partido também pode pedir a impugnação do registro dele junto à Justiça Eleitoral.

Procurado pela reportagem, Milton Rodrigues afirmou que não pretende desistir da candidatura.

Depoimento

Milton Rodrigues esteve na delegacia da Sarzedo na noite desta sexta-feira (16) para prestar depoimento sobre sua suposta participação nas agressões.

O conteúdo das declarações não foi divulgado nem pela Polícia Civil e nem pelo suspeito. A corporação, que tem até o dia 7 de novembro para concluir as investigações, informou que “outras informações serão divulgadas em momento oportuno, pelo delegado responsável pelo caso”.

Em contato com o R7 neste sábado (17), o candidato não quis comentar sobre as acusações. Ele não confirmou e nem negou envolvimento no caso. O advogado Arthur de Almeida, que defende Rodrigues, se limitou a dizer que os fatos serão “esclarecidos em juízo”.

Agressões

A doméstica Eliete Barbosa dos Santos, de 43 anos, foi agredida enquanto chegava em casa na noite do último dia 7 de outubro. Imagens de circuito de segurança flagraram o momento em que ela foi abordada por um homem, que após uma conversa, desfere uma série de tapas em seu rosto.

Na época do crime, Eliete disse à reportagem e à polícia que o homem que aparece nas imagens é o candidato Milton Rodrigues. A vítima contou que havia terminado um relacionamento de quatro meses com ele durante a manhã daquele dia e ele não teria aceitado o término do namoro.

As agressões só pararam com a chegada de um motorista que passava pelo local e interveio na briga. A polícia foi acionada. Como o suspeito fugiu no local, não houve prisão em flagrante e Rodrigues só prestou depoimento nove dias após o caso, sendo liberado em seguida.