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Minas Gerais Qualidade da água do rio Paraopeba vai passar por auditoria externa

Qualidade da água do rio Paraopeba vai passar por auditoria externa

Após transferência das ações para o órgão ambiental, a Vale suportará e custeará as atividades de monitoramento pelo prazo de dez anos

Rio Paraopeba foi contaminado por rejeito de minério em Brumadinho

Rio Paraopeba foi contaminado por rejeito de minério em Brumadinho

Lucas Hallel/Ascom Funai

A Vale vai transferir para o Igam (Instituto Mineiro de Gestão de Águas) todas as ações de monitoramento dos recursos hídricos e sedimentos ao longo da bacia dos rios Paraopeba e São Francisco. A mineradora também se comprometeu a custear essas ações pelos próximos 10 anos. 

A decisão foi tomada após a assinatura de um Termo de Compromisso junto ao MPMG (Ministério Público de Minas Gerais). Parte do leito do rio Paraopeba, que deságua no São Francisco, foi contaminado pela lama de rejeitos de minério que vazou da barragem B1 da mina Córrego do Feijão após o rompimento da estrutura em 25 de janeiro deste ano. 

Pelo acordo, nos próximos dois anos e dois meses, a Vale vai arcar com a contratação de uma auditoria técnica independente que ficará responsável por supervisionar o processo de transferência de informações da Vale para o Igam. Nesse prazo, a auditoria também terá como atribuição a fiscalização dos monitoramentos realizados pela empresa. 

Ainda de acordo com o Termo de Compromisso, a empresa de auditoria contratada também irá acompanhar o plano de monitoramento da qualidade das águas subterrâneas e o programa de distribuição de água potável para comunidades que foram impactadas pelo rompimento da barragem há 10 meses.

Monitoramento

A Vale informa que monitora a qualidade da água do rio Paraopeba desde janeiro. Atualmente, segundo a mineradora, são 90 pontos de monitoramento cobrindo uma área de mais de 2,6 mil km de extensão, que inclui o ribeirão Ferro-Carvão, rio Paraopeba, 10 de seus afluentes e o São Francisco até sua foz no oceano Atlântico.

Até o momento, já foram realizadas cerca de 4 milhões de análises de água, solo e sedimentos em mais de 31 mil amostras. Esse trabalho analisa diversos parâmetros, como a presença de metais na água, pH e turbidez. A Vale também realizou ensaios de ecotoxidade ao longo do rio Paraopeba com a finalidade de entender as consequências do depósito de rejeitos no curso d'água.

Os resultados obtidos até o momento não apontam efeitos tóxicos nas amostras de água devido à presença de rejeito no rio. 

As análises da Vale e do Igam mostram que a pluma de sedimentos que vazou da B1 parou no reservatório da Usina de Retiro Baixo, no município de Pompéu (MG), onde chegou apenas o material mais fino.

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