"Quero pedir desculpas", diz Kalil a comerciantes após fechamento

Prefeito de Belo Horizonte disse que o momento é duro para a prefeitura e que os negócios vão se recuperar lá na frente, mas as vidas, não

Kalil anunciou fechamento do comércio na sexta (26)

Kalil anunciou fechamento do comércio na sexta (26)

Divulgação / PBH / Amira Hissa

O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), pediu desculpas aos comerciantes da capital mineira um dia depois que passou a valer um novo decreto municipal que determina o fechamento de todo tipo de comércio não essencial na cidade.

Em entrevista à Record TV Minas, Kalil disse que o negócio se recupera "lá na frente", mas que "uma vida que se vai, nós não vamos recuperar nunca mais", em referência à importância do isolamento social para evitar a disseminação do novo coronavírus. 

O processo de reabertura econômica durou pouco mais de um mês, entre 25 de maio e 29 de junho. Nesta segunda-feira (29), um grupo de comerciantes afetados com a medida protestou contra a decisão de Kalil em frente à portaria da prefeitura.

— Eu queria que todo mundo entendesse que é um momento de muito sacrifício para a prefeitura. É muito duro para um prefeito fechar a cidade, é uma coisa que eu não queria passar. Eu quero pedir desculpas a esses comerciantes, humildemente, peço que me perdoem. Quero que os comerciantes entendam que o momento é ruim para todo mundo.

Kalil disse, ainda, que não sabe qual será a posição adotada pela prefeitura no fim dessa semana. Nos últimos meses, toda sexta-feira o Executivo municipal tem feito coletivas de imprensa para explicar o passo adotado no processo de reabertura gradual da economia.

Na última sexta (26) foi definido que o município recuaria até a "fase zero", em que são permitidos apenas o funcionamento de comércios considerados essenciais. 

O prefeito Alexandre Kalil ainda falou sobre outros assuntos relacionados ao coronavírus na cidade. Confira: 

Ajuda aos comerciantes

Segundo o prefeito, a Prefeitura de BH vai trabalhar em uma ajuda aos comerciantes, afetados pelas medidas de isolamento social na cidade e o fechamento de estabelecimentos. 

— A segunda fase é ajudar esse pessoal que está sofrendo tanto. Temos um protocolo criado em março e estamos seguimos os números e a ciência para que a cidade abra ou feche. Estamso mexendo com vidas e cada vida é muito importante. Sabemos o desgaste, sabemos que estamso prejudicandao muita gente. Isso não é culpa da prefeitura, do comércio, do shopping, é culpa do vírus. 

Situação dos leitos

De acordo com o prefeito Alexandre Kalil, mesmo com uma taxa de ocupação de 87% nos leitos de terapia intensiva, a situação ainda está "sob controle" na capital mineira. Mas ele destaca a velocidade com que os leitos foram demandados na cidade. 

— Nós tivemos o cuidado de fechar a cidade justamente para ter a pandemia em controle. É um controle perigoso, porque temos 87% dos leitos ocupados. A população tem que entender que, quando começamos fechamento da cidade, tínhamos 82 leitos e uma ocupação de 70%. Hoje temos 320 leitos e 87% dessa ocupação. 

Hospital de campanha 

O prefeito Kalil também comentou sobre a situação do hospital de campanha montado pelo governo de Minas no Expominas, região Oeste de Belo Horizonte. São 740 leitos de enfermaria e mais 28 de estabilização e nenhum de UTI no local. 

—  Qualquer hospital é muito bem vindo. O que acontece é que existe o problema do "recheio". O que salva a população são os médicos, enfermeiros, esse pessoal valente que esta na linha de frente. Mas o hospital não conseguiu abrir porque não rechearam o hospital. Mas esse é um problema que o governo de Minas está tentando resolver e espero que resolva. 

Testagem em massa

O prefeito reforçou que os testes para diagnóstico da covid-19 estão sendo feitos e que a capital mineira deve testar, proporcionalmente, o dobro de gente do que foi feito na Coréia do Sul, um países que conseguiu controlar a pandemia usando da testagem em massa como uma das ferramentas de combate ao coronavírus. 

— A cidade de Belo Horizonte vai ter, segundo o secretário de saúde Jackson Machado, exatametne o dobro da testagem da Coréia do Suk. Já estamos testando, há milhares de testes sendo feitos. 

Volta às aulas na rede municipal

Embora a prefeitura tenha publicado um decreto para determinar a volta aos trabalhos dos servidores da educação, em regime remoto, o prefeito disse não ter previsão de quando as escolas vão reabrir. 

— Eles estão fazendo um plano de trabalho para que, quando as aulas voltarem, já termos um projeto de recuperação desse tempo perdido. Mas não há a menor chance de volta às aulas.