Minas Gerais Rachadinha: assessora teve carro queimado após denunciar esquema

Rachadinha: assessora teve carro queimado após denunciar esquema

Vereador de Nova Lima (MG), Tiago Tito, foi preso preventivamente por suspeita de 'rachadinha' e ameaça contra ex-servidora

Vereador foi preso nesta terça

Vereador foi preso nesta terça

Reprodução/redes sociais

A prisão do vereador Tiago Tito (PSD), da Câmara Municipal de Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, foi motivada após uma denúncia de uma assessora que deixou de transferir parte de seus salários ao parlamentar. 

De acordo com o promotor de Justiça Fabrício Fonseca Pinto, que atua nas investigações do caso, a vítima teria sido ameaçada e teve um carro queimado após denunciar o esquema de irregularidades na cidade da Grande BH. O parlamentar está detido de forma preventiva devido às ameaças contra a ex-assessora. 

Em entrevista coletiva nesta terça-feira (11), o promotor disse que ela foi ameaçada diante da possibilidade de delatar o esquema. 

— Em um primeiro momento o veículo dela foi queimado em circunstâncias suspeitas, em frente à residância dela. Em outro momento, ela foi ameaçada pelo próprio parlamentar porque foi veiculado em uma rede social, em Nova Lima, que ela poderia delatar o esquema. Ela foi ameaçada em razão dessas informações.

De acordo com o promotor, em um primeiro momento, a servidora recebia cerca de R$ 3 mil e ficava com pouco mais de R$ 1 mil, repassando o restante para o vereador. 

— Quando ela entrou em licença, recebeu uma proposta para passar a ganhar R$ 9 mil e repassaria cerca de R$ 7 mil ao parlamentar. Mas ela sofreu prejuízos porque deixou de receber alguns benefícios que recebia anteriormente. E, com isso, não conseguiu mais fazer o repasse integral. 

Segundo as investigações, a vítima procurou o Ministério Público no final do ano passado, após a primeira fase da operação Contrato Leonino, para realizar a denúncia. 

A reportagem entrou em contato com o gabinete de Tiago Tito e com a Câmara de Nova Lima e aguarda posicionamento de ambos. 

Empresário investigado

Além do esquema de "rachadinha" no gabinete do vereador, a operação também apura os contratos firmados por uma empresa com o Poder Público.A suspeita das autoridades é que os contratos eram obtidos a partir de influência do parlamentar junto à Câmara e a Prefeitura da cidade. O dono da empresa foi alvo de mandados de busca e apreensão na manhã de hoje. 

De acordo com o promotor, nos últimos cinco ano, a empresa firmou diversos contratos com a Prefeitura de Nova Lima. Um deles, de realização de obras, segue em curso, com um valor estimado em mais de R$ 20 milhões. 

- Não estou dizendo que este contrato é ilegal, mas pode haver favorecimento. Isso ainda  necessita de comprovação e, por isso, a operação de busca e apreensão hoje.

Prisão

O vereador Tiago Tito (PSD) e  seu chefe de gabinete foram presos em uma investigação sobre a prática de "rachadinha" na Câmara Municipal da cidade.

Além disso, os órgãos apuram a influência de vereadores na destinação de cargos públicos, além de fraudes a processos licitatórios nos Poderes Executivo e Legislativo. Segundo o MP, há investigação em curso sobre lavagem de dinheiro decorrente de práticas criminosas.  A lavagem de valores decorrentes das práticas criminosas também está sendo investigada.

Além da prisão dos dois alvos, a operação também cumpre 13 mandados de busca e apreensão, na casa e no gabinete do vereador e do chefe de gabinete, além da casa de um empresário e na sede da sua empresa.

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