Minas Gerais Recepcionista de hospital de BH acusa PM de abordagem truculenta

Recepcionista de hospital de BH acusa PM de abordagem truculenta

Agentes foram acionados por paciente com sintomas da covid que não conseguiu atendimento e ocorrência terminou em confusão

  • Minas Gerais | Virgínia Nalon, da Record TV Minas

A recepcionista de um hospital localizado no Barro Preto, na região Centro Sul de Belo Horizonte, acusa a Polícia Militar de truculência em uma abordagem realizada na noite de quinta-feira (20). A ação foi gravada por uma funcionária da unidade.

A recepcionista Ana Carolina Monteiro conta que a confusão começou após um paciente com suspeita de covid-19 procurar atendimento no hospital. A atendente informou que a unidade já havia ultrapassado a capacidade de atendimento diário para a doença e orientou a pessoa a procurar outra instituição.

— Ele procurou a Polícia Militar. Aí veio um agente e perguntou por que o atendimento estava demorando. Eu falei que, por ele ter sintomas de covid-19, não havia mais atendimento.

Abordagem da PM foi gravada por uma funcionária

Abordagem da PM foi gravada por uma funcionária

Reprodução / Record TV Minas

A recepcionista alega ter informado aos agentes que a supervisora que poderia resolver a situação estava no intervalo. Mas, segundo Ana, o policial não quis aguardar e a levou para fora do hospital.

As imagens mostram o agente empurrando Ana pelo braço. Uma das funcionárias reclama da truculência do agente, que pede para os presentes afastarem e, na sequência, joga spray de pimenta na direção das pessoas. 

Na sequência, a mulher dá sinais de que está passando mal e uma das colegas de trabalho afirma que ela havia sido operada recentemente. Um policial responde, falando para a testemunha “ter cuidado com o que está fazendo” e pedindo respeito aos policiais. Após a confusão, Ana Carolina foi detida por desacato e levada para uma delegacia.

— Eu estava fazendo 12 horas de plantão e ainda tinha mais 12. Fiquei abalada pelo ato de alguém que não está preparado para estar na rua. Eu acho que vou procurar a Corregedoria, pois essa não é a conduta de um policial.

Outro lado

Em nota, a Polícia Militar informou que foi até o hospital após receber uma denúncia de omissão de socorro. Eles alegam que a recepcionista não quis se identificar e não apresentou uma pessoa responsável pela instituição. O órgão alega que a recepcionista teria “investido com resistência à ação policial”.

Na nota, a PM também alega que outros funcionários do hospital “insurgiram contra os policiais na tentativa de arrebatar a cidadã”. Por fim, a corporação alega que Ana Carolina não teve nenhuma lesão corporal aparente.

A Polícia Civil informou que a recepcionista foi ouvida e liberada após assinar um termo se comprometendo a comparecer a uma audiência futura. A ocorrência foi registrada como “recusa dados ou indicações à autoridade”. Em nota, o Hospital Socor, onde ocorreu o fato, informou que não vai se pronunciar.

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