tragédia brumadinho
Minas Gerais Rompimento em Brumadinho poderia ter sido evitado, afirma MP

Rompimento em Brumadinho poderia ter sido evitado, afirma MP

Segundo promotora, investigadores têm convicção de que tragédia foi um crime doloso, já que havia conhecimento sobre a situação da barragem

Clima de tristeza e dúvida assombra moradores

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Reuters / Washington Alves - 01.02.2019

A promotora de Justiça do MPMG (Ministério Público do Estado de Minas Gerais), Paula Ayres Lima, afirmou, nesta segunda-feira (11), que a força tarefa que investiga o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho, ocorrido no fim de janeiro, já tem convicção de que a tragédia poderia ter sido evitada.

Em entrevista realizada em Belo Horizonte, ela disse que já há convicção entre os vários órgãos que participam das apurações de que foi um crime doloso, já que havia conhecimento desde 2017 sobre a situação da barragem e nada foi feito.

"Nenhuma providência prática foi tomada. Nem o Plano de Ação Emergencial, que não teria evitado o rompimento, mas teria evitado a catástrofe humana, foi adotado", disse, lembrando que há informações sobre uma tentativa de se resolver o problema, mas que não deu certo e foi abandonada. "Tudo indica que eles teriam que parar a produção e ficou-se sempre buscando uma solução que evitasse parar a operação", completou.

Segundo a promotora, cerca de 18 pessoas estão sendo investigadas, mas a Força-Tarefa não iniciou ainda a tipificação de todos os crimes associados ao rompimento da estrutura. O presidente afastado da companhia, Fábio Schvartsman, também não foi ouvido ainda.

"Essa investigação é um quebra-cabeça de milhões de peças e todas as peças têm se mostrado importantes. Há um conjunto de provas que está permitindo que a gente já faça algumas conclusões", disse, frisando que a tipificação legal pode levar o grupo a apontar crimes contra a fauna, a flora, além das mortes.

Para a promotora, não se pode atribuir a culpa à empresa. "A Vale é uma pessoa jurídica. O que a gente vê é que os funcionários que lidavam ali no dia a dia, principalmente aqueles que tiveram mandado de busca e apreensão, não fizeram nada", completou. "É mais que omissão isso. É uma omissão muito sabida. Eles tinham consciência que existia um risco", disse.

Procurada, a Vale ainda não se pronunciou sobre o conteúdo da entrevista.