Minas Gerais Secretário de Kalil nega interferências na CPI da BHTrans

Secretário de Kalil nega interferências na CPI da BHTrans

Em depoimento à comissão, Adalclever Lopes voltou a refutar denúncias de caixa 2 e disse não ter intenção de deixar o governo

Adalclever foi ouvido remotamente por CPI

Adalclever foi ouvido remotamente por CPI

Reprodução / CMBH

O secretário de Governo de Belo Horizonte, Adalclever Lopes, negou ter tentado interferir no trabalho da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da BHTrans ou pressionado para a escolha de relator alinhado ao governo.

Os questionamentos foram feitos ao político durante depoimento à comissão, nesta quarta-feira (13).

Questionado pelo vereador Gabriel Azevedo (sem partido), presidente da CPI, Lopes afirmou que jamais recebeu pagamento de empresas em esquema de caixa dois para financiamento de suas campanhas.

— Nunca recebi nenhum centavo de caixa dois de empresa de ônibus ou qualquer outra que seja.

Durante a reunião, a presidência da CPI sugeriu que Lopes teria atuado em favor das empresas de ônibus enquanto foi deputado estadual em Minas Gerais. Segundo Azevedo, a irregularidade teria ocorrido quando ele, como presidente da ALMG (Assembleia Legislativa de Minas Gerais) colocou em votação um projeto que reduzia o ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) do diesel para o setor.

— O presidente não vota. Portanto, nesta votação eu não votei. Coloquei todos os projetos de lei em votação. Foram milhares.

Azevedo também questionou a falta de movimentação de Lopes e os colegas deputados em relação a uma série de decretos da gestão do ex-governador Fernando Pimentel (PT) que concedia benefícios às companhias de ônibus.

— Não tive nada a ver com os decretos. Foram feitos pelo Executivo e não pelo Legislativo. Se alguma empresa foi beneficiada, tem que questionar o senhor Pimentel que fez o decreto - argumentou Lopes.

Durante o depoimento, Azevedo ainda citou investigação da Polícia Federal sobre tráfico de influência em 2019 que teria Lopes entre os investigados. Documentos apresentados pela CPI mostram que a Justiça negou um pedido de condução coercitiva contra o secretário dentro da investigação.

Questionado, Lopes disse desconhecer o assunto e ressaltou que se o pedido foi negado não havia provas de seu envolvimento no caso.

Lopes também voltou a negar as acusações feitas pelo ex-chefe de gabinete Alberto Lage, de que ele teria pressionado uma agência a fazer uma pesquisa sem custos. Perguntado sobre possível saída da gestão Kalil, o secretário disse que não tem intenção de deixar o cargo e afirmou que não recebeu sinalização neste sentido por parte do prefeito.

Visita técnica

Nesta quinta-feira (14), membros da CPI vão visitar a empresa responsável por guardar os documentos relativos aos contratos de ônibus. No último mês, a Polícia Civil abriu investigação sobre o sumiço temporário de caixas com alguns arquivos. Os vereadores também ampliaram o prazo de conclusão da comissão até 15 de setembro para terem acesso às apurações policiais.

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