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Minas Gerais Vacinação em empresa de BH teria imunizado 80 pessoas em 2 dias

Vacinação em empresa de BH teria imunizado 80 pessoas em 2 dias

Frascos encontrados na casa da falsa enfermeira eram de soro, confirma laudo; polícia investiga se vacinas eram verdadeiras

  • Minas Gerais | André Carvalho, da Record TV Minas

Vacinação aconteceu em garagem de ônibus

Vacinação aconteceu em garagem de ônibus

Raquel Rocha / Record TV Minas

Mais de 80 pessoas teriam participado da vacinação cladestina contra a covid-19 em uma empresa de ônibus em Belo Horizonte, na última semana.

Segundo as investigações, as doses foram na segunda-feira (22) e na terça-feira (23), dia em que vizinhos filmaram uma movimentação estranha na garagem que pertence à companhia Coordenadas, ligada ao grupo Saritur.

Inicialmente, a Polícia Federal encontrou no local uma lista com os nomes de 57 supostos imunizados. No entanto, de acordo com delegado Rodrigo Morais Fernandes, responsável pelo inquérito, os empresários Robson e Rômulo Lessa relataram que o número seria maior.

— Temos uma lista de 57 nomes, mas os empresários confirmaram que mais de 80 pessoas participaram da vacinação na garagem, porque elas foram feitas em duas etapas.

Veja: Vacinas aplicadas em empresários de Minas Gerais podem ser falsas

Os políticos Clésio Andrade e Alencar da Silveira Júnior não aparecem na lista de pessoas imunizadas mas o delegado não descarta, ainda, hipótese dos dois terem sido vacinados.

— Eles não estão na lista apreendida, mas isso não quer dizer que eles não participaram da imunização.

Laudo

Os irmãos Lessa ainda confirmaram que organizaram a vacinação na garagem da empresa e apresentaram para os delegados comprovantes de depósitos feitos na conta de Igor Torres de Freitas, filho da cuidadora de idosos Cláudia Mônica Pinheiro Torres de Freitas, que teria se passado por enfermeira para negociar as vacinas com os empresários e fazer a aplicação das doses.

Em depoimento à PF, Igor negou que recebia o dinheiro das doses aplicadas. O valor por pessoa, segundo as investigações era de R$600,00, por dose do imunizante. A cuidadora de idosos tem dificultado o trabalho da polícia, pois segue a orientação do seu advogado de permanecer em silêncio.

Durante uma operação, a polícia encontrou caixas de isopor, seringas, vacinas para gripe e frascos de soro fisiológico na casa de Cláudia. Um relatório da perícia confirma que nos frascos havia soro fisiológico. Os agentes ainda apuram se as vacinas aplicadas eram verdadeiras.

Apesar da investigação caminhar para a prática de fraude, porque até o momento, não há indícios que a mulher tenha tido acesso a vacinas contra a covid-19. O delegado afirma que as pessoas que foram vacinadas também responderam por alguma prática ilegal.

— Eles organizaram uma vacinação em um local sem rigor sanitário algum, colocando a vida das pessoas que foram até o local, em risco.

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