Vale detonou explosivos em mina de Brumadinho no dia do rompimento

Informação foi dada por um funcionário da mineradora e por um trabalhador terceirizado; homens divergiram quanto ao horário da detonação

Barragem rompeu deixando 270 mortos e desaparecidos

Barragem rompeu deixando 270 mortos e desaparecidos

Márcio Neves/R7

Um funcionário da Vale e um trabalhador terceirizado da empresa declararam que explosivos foram detonados na mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Grande BH, no dia em que a barragem que ficava no local se rompeu.

Edmar de Rezende, aplicador de explosivos da mineradora, afirmou que a detonação aconteceu às 13h33 – 1 hora e 35 minutos após o rompimento da barragem. A declaração foi feita durante depoimento que os dois prestaram à Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga o caso, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, nesta segunda-feira (24).

Vídeo mostra momento de detonação

Vídeo mostra momento de detonação

Reprodução / Record TV Minas

Rezende entregou aos deputados um vídeo que mostra o momento exato da detonação. O arquivo indica que a filmagem foi feita às 13h33.

Contudo, Eiichi Pampulini Osawa, mecânico de mineração da empresa Sotreq, que terceirizada da Vale,  afirmou que a detonação aconteceu por volta de 12h20, 8 minutos antes do rompimento da barragem B1.

— Se você pegar o ponto da barragem e onde teve detonação e traçar, eu acho que não dá um quilômetro.

Denis Valetim, funcionário da Tüv Süd, empresa contratada pela Vale para atestar a segurança da barragem, não compareceu à reunião graças a um habeas corpus que conseguiu no STJ (Superior Tribunal de Justiça).

O presidente da comissão, deputado André Quintão (PT), afirmou que um relatório da auditoria externa recomendava evitar trânsito pesado e detonações próximo à barragem B1.

— Aqui hoje fica comprovado que estas detonações ocorreram durante todo o ano de 2018, quando foi feita esta recomendação, bem como nos dias que antecederam o rompimento da barragem. Resta uma dúvida sobre o horário. Mesmo se ocorreu depois, havia uma outra barragem de água que poderia ser afetada pela detonação e agravar ainda mais a situação das pessoas que estavam na lama.

Ao final da reunião, a comissão aprovou um requerimento pedindo à Vale um relatório de todas as detonações na mina Córrego do Feijão, entre os meses de dezembro e janeiro. Os deputados também aprovaram a prorrogação da CPI por mais 60 dias ouvir mais testemunhas e dois diretores que foram citados em vários depoimentos.

Em nota, a Vale negou que a realização de detonações antes do rompimento da barragem em Brumadinho. 

Confira a nota na íntegra: 

A Vale esclarece que, no dia 25/01, antes do rompimento da barragem B1, não houve detonação nas minas do Córrego do Feijão e Jangada. Após a ruptura, por medida de segurança, foram realizadas duas detonações que já estavam programadas para ocorrer, em distância e com cargas seguras. As detonações foram mantidas com o objetivo de eliminar qualquer risco vinculado à presença de furos carregados de explosivos no complexo do Córrego do Feijão.”

Veja o momento da detonação: