Vale é condenada a pagar R$ 1,5 mi à família de terceirizado morto

Fauller Douglas da Silva Miranda é um dos 37 contratados pela empresa Reframax que morreram enquanto atuavam na barragem de Brumadinho 

Tragédia deixou 270 mortos e desaparecidos

Tragédia deixou 270 mortos e desaparecidos

Divulgação / Corpo de Bombeiros

A Sexta Vara do Trabalho de Betim, na Grande BH, condenou a mineradora Vale a pagar R$ 1,5 milhão à família de um empregado terceirizado morto no rompimento da barragem de Brumadinho, em janeiro deste ano.

A ação é referente à morte de Fauller Douglas da Silva Miranda, um dos 37 contratados pela empresa Reframax que morreram enquanto atuavam na mina Córrego do Feijão. Caso a Vale não pague a indenização, a terceirizada deverá assumir os custos.

Segundo o Tribunal Regional do Trabalho, a mãe da vítima vai receber R$ 900 mil, enquanto o padrasto e os dois irmãos vão ganhar R$ 200 mil cada. Todos os valores são de indenização por danos morais.

No despacho, a juíza Sandra Maria Generoso Thomaz Leidecker destacou que a mineradora demonstrou “imprudência e negligência”, falhando no dever de garantir segurança do meio ambiente e dos funcionários. A magistrada lembrou, ainda, que o refeitório onde os trabalhadores almoçavam ficava logo abaixo da barragem que tinha chances de romper.

Segundo a Justiça do Trabalho, durante o processo, a terceirizada negou culpa sobre o ocorrido, já que se limitou a prestar serviços para a mineradora. Já a Vale defendeu que seguiu as normas de saúde e segurança do trabalho previstas em lei.

A decisão foi proferida nesta segunda-feira (21), mas só divulgada nesta quinta-feira (24). Procurada, a Vale informou que vai recorrer da decisão. Reportagem também tentou contato com a Reframax, mas aguarda retorno.

O rompimento da barragem de Brumadinho completa nove meses nesta sexta-feira (25). Até o momento, 18 pessoas seguem desaparecidas. Outras 252 vítimas já foram encontradas e identificadas.