Vale terá que indenizar trabalhador que presenciou morte de colegas

Empresa foi condenada a pagar R$ 100 mil ao funcionário terceirizado que estava na mina de Córrego do Feijão no dia do rompimento em Brumadinho

Funcionário estava próximo ao refeitório

Funcionário estava próximo ao refeitório

Washington Alves/Reuters

A mineradora Vale foi condenada a pagar uma indenização por danos morais de R$ 100 mil a um funcionário terceirizado que viu os colegas morrerem no estouro da barragem da empresa em Brumadinho, na região metropolitana de Belo Horizonte.

Na decisão, a juíza Renata Lopes Vale alegou que, embora o funcionário não tenha ficado ferido, ele “ foi exposto a situação de extremo perigo, com possibilidade de morte iminente e prematura, além de ver destruído o local de trabalho, com a morte de colegas, o que lhe gerou danos morais passíveis de reparação”.

De acordo com o processo, o reservatório rompeu instantes depois de o trabalhador sair do refeitório que foi varrido pela lama de rejeitos. O homem relatou em depoimento que só conseguiu se salvar porque ouviu um colega gritando sobre o colapso da estrutura e correu para uma área mais alta dentro da mina.

Segundo o TRT3 (Tribunal Regional do Trabalho da Terceira Região), a Vale recorreu da decisão. O pedido de reavaliação da sentença ainda é analisado.

Procurada, a mineradora informou que definiu em um acordo com os sindicados dos trabalhadores terceirizados que a empresa vai fornecer indenizações e assistência psicológica aos operários até janeiro de 2022.

A barragem da mina Córrego do Feijão rompeu às 12h28 do dia 25 de janeiro de 2019. Quase um ano e meio depois da tragédia, 11 vítimas ainda não foram encontradas. As buscas precisaram ser interrompidas devido à pandemia de covid-19, mas segundo os bombeiros, os trabalhos vão ser retomados em meados de junho.

Veja a nota da Vale:

"A Vale esclarece que celebrou acordo, no dia 22 de abril, com seis sindicatos que representam os trabalhadores terceirizados que prestavam serviços nas Minas Córrego do Feijão e Jangada, ambas em Brumadinho, por meio do qual os empregados receberão indenizações financeiras, bem como assistência psicológica e psiquiátrica até janeiro de 2022".