EUA desconfiam que Coreia do Norte seja espécie de laboratório do Irã

Diante de autoridades, exército apresenta mísseis em Teerã
Diante de autoridades, exército apresenta mísseis em Teerã Reuters

A tensão entre Estados Unidos e Coreia do Norte não está só relacionada a interesses da China e da Rússia na região. Fatores históricos fazem o problema se estender para o Oriente Médio e se tornar global. O alimento em comum para isso é a hostilidade aos Estados Unidos. Desta maneira, como uma inflamação, o conflito se expande e tem ampla relação com o Irã.

Informações trazidas pelo site israelense Debkafile, especializado em notícias sobre inteligência e segurança, destacam que o Irã é quem está por trás dos testes de mísseis e de bomba de hidrogênio norte-coreanos, o que seria uma maneira também de o país islâmico desenvolver sua própria tecnologia nuclear, limitada desde 2015 pelo acordo com as potências ocidentais.

A publicação informou ter havido um encontro, no último dia 3 de agosto, em Teerã, de uma delegação de Pyongyang, liderada pelo presidente do parlamento, Kim Yong-nam, considerado o número 2 da hierarquia norte-coreana, com membros do governo iraniano.

A estadia de 10 dias, feita após convite do Irã, serviu para Yong-nam se encontrar com os chefes do exército, autoridades de segurança e responsáveis pela indústria militar iraniana.

O objetivo foi expandir a cooperação militar, vigente desde 1979, quando houve a Revolução Islâmica no Irã. Programas de mísseis balísticos e nucleares certamente entraram na pauta, o que gerou inclusive a desconfiança dos EUA de que o Irã, e não a China, seja o principal mentor do programa nuclear norte-coreano.

Neste caso, a Coreia do Norte seria uma espécie de laboratório do Irã. Um parceiro que mantém um discurso similar de ódio, alimentado por questões do passado que têm vindo mais à tona recentemente. A Coreia do Norte, desde  Kim Il-sung, o primeiro governante da dinastia ditatorial do país, se ressente dos americanos pela participação dos EUA na Guerra da Coreia (1950-1953).

Já o Irã, um aliado dos anos 40, 50 e 60, inclusive de Israel, se voltou totalmente contra o Ocidente, ressentido pelo apoio das potências, principalmente os Estados Unidos, ao regime, também ditatorial, de Mohammad Reza Pahlavi (que governou de 1941 a 1979). A atuação brutal da polícia secreta daquele regime iraniano, a Savak, até hoje gera traumas e rancores no país.

A partir da revolução que destituiu Pahlavi, impondo um governo islâmico, muitas das diretrizes de parceria iranianas com potências ocidentais foram desfeitas. Israel, até então, mantinha negócios com o Irã, inclusive, o que hoje é uma ironia, na construção de armamento e obras de logística.

Tudo isso, porém, é passado. No momento, o que se vê é um discurso sintonizado de ambos os países, acuados por sanções, contra os Estados Unidos. E a ação também é sincronizada. Ambos têm realizado testes similares e praticamente simultâneos.

No último sábado (23), o Irã realizou o seu teste com mísseis balísticos. Já a Coreia do Norte, que já havia realizado um teste nuclear recentemente, tem demonstrado a intenção de realizar outro, em meio a testes com mísseis.

A maior preocupação também é saber qual a real capacidade do arsenal nuclear norte-coreano. Mísseis de defesa anti-aérea teriam dificuldades em bloquear mais de uma ogiva, se não estivessem programados para isso.

Diante deste cenário, autoridades americanas passaram a dar mais atenção para algo que anteriormente aparentava vir de duas frentes distintas. A estratégia diplomática, com isso, se torna ainda mais válida. E fica facilitada já que, neutralizando uma dessas frentes, a outra, muito provavelmente, estará isolada.

  • Espalhe por aí:

Twitter

X
Enviar por e-mail
(todos os campos marcados com * são obrigatórios)
Preencha os campos corretamente.
Mensagem enviada com sucesso!
Access log
Access log