Saiba como um país se tornou exemplo na preservação da água no planeta

Autor israelense lança no Brasil livro que conta como seu país superou a falta de água
Autor israelense lança no Brasil livro que conta como seu país superou a falta de água Livro Faça-se água/Divulgação

De Israel para o mundo. O dilema de uma nação que teve de descobrir como encontrar água para sobreviver deverá se repetir, em pouco tempo, em escala global. Desde antes da independência do país, em 1948, os governantes israelenses direcionaram esforços para tornar possível prosperar em uma região na qual mais de 50% da área é deserto.

Tive a experiência de ver a água emergir no deserto nos anos 80, quando fiquei um mês trabalhando no kibutz Yotvatá, no Neguev. A areia desértica do local se mistura a trilhas arborizadas, bosques e plantações de cebola, tomate, tâmara e outros itens, em uma comunidade que prima por casas confortáveis e acolhimento.

Tudo por causa da tecnologia que trouxe água à região, por meio de tubulações. Isso facilitou o kibutz na criação de uma empresa de lacticínios, tornando-a uma das líderes do mercado israelense de iogurte e bebidas lácteas. Adorávamos, à noite, dar uma passada no refeitório e pegar algumas caixas de Moka e Choko geladinhos, entre outros, produzidos na fábrica, disponíveis para os moradores.

Ao saber do lançamento no Brasil do livro "Faça-se a Água – a solução de Israel para um mundo com sede de água", do escritor, empreendedor e ativista Seth M. Siegel, me vieram à mente todas essas cenas.

E mais uma, na qual um agricultor barbudo, na laje de uma das áreas do kibutz, lavava seu trator. A água jorrava de uma mangueira grossa sem que, por mais de uma hora e talvez com exagero, ele demonstrasse preocupação com sua falta. Isso, repito, no meio do deserto.

A obra de Siegel, editada no Brasil pela Educ e com preço estimado em R$ 66,00, é também uma cartilha para o mundo aprender com a experiência israelense e, em um planeta com recursos hídricos cada vez mais escassos, buscar soluções para evitar a falta de água no futuro. Ele mesmo diz que 60% da superfície terrestre do planeta em breve passará por intenso desequilíbrio entre a água disponível e a procura por água, com riscos de afetar o crescimento econômico de países.

Em suas explanações pelo Brasil, onde estará de 16 a 19 de outubro, Siegel terá encontros com o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, na segunda-feira (16), e no Ministério do Meio Ambiente, em Brasília, na quinta-feira (19). Ainda no dia 16, às 19h, faz, no Teatro Tuca, da PUC-SP, uma palestra-debate com entrada franca e a participação de especialistas em água e meio ambiente. Na terça-feira (17), participará de palestra, com o lançamento do livro e sessão de autógrafos, na Livraria Cultura, do Conjunto Nacional, em São Paulo, a partir das 18h30.

Em um dos comentários sobre o livro, traduzido em 14 idiomas e à venda em 40 países, Robert F. Kennedy Jr., presidente da Aliança para a Conservação da Água, resume a importância de um olhar atento para esta questão tão atual. Ele é filho do ex-senador Robert F. Kennedy (1925-1968) e sobrinho do ex-presidente John F. Kennedy (1917-1963).

— Já que a escassez global de água está gerando crises políticas, militares e humanitárias ao redor do mundo, a surpreendente inventividade israelense para conseguir abundância a partir da seca é um plano inspirador e instrutivo para o planeta.

Israel, em seu tripé educação, tecnologia e política, que moldou o alicerce de seu Estado, sempre admirou a essência cultural brasileira. Naqueles idos de 80, costumávamos cantar, na escola judaica, músicas populares brasileiras traduzidas para o hebraico, como a "Meu limão, meu limoeiro": (Etz limon, etz sheli....)

Havia uma espécie de fascínio israelense pela natureza brasileira e seus recursos abundantes e belos. Quem sabe, já não se intuía um desejo intrínseco de, com essa tecnologia, ajudar o Brasil a preservar melhor, sabendo usar com inteligência, o patrimônio da Amazônia e de seus vastos rios?

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Tenho para mim que Israel já pensava além quando decidiu enveredar por esses mares, ciente da maneira pouco eficiente com que, assim como outros, nosso país usava seus recursos, tão bem retratada na música "Sobradinho", de Sá e Guarabyra: "O sertão vai virar mar, dá no coração. O medo que algum dia o mar também vire sertão".

Taí outra sugestão de música que poderia ser traduzida para o hebraico e ser cantada por nossos filhos. Em um idioma que, nessa área de preservação, tem se tornado uma língua universal.

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