Algoritmos e cultura do cancelamento em debate no Porto Musical

Primeiro dia da programação da edição 2020 do festival contou com duas conferências, com participações de artistas como Karina Buhr, Tássia Reis e Luna Vitrolira, além de produtores e pesquisadores

Primeiro dia da programação da edição 2020 do festival contou com duas conferências, com participações de artistas como Karina Buhr, Tássia Reis e Luna Vitrolira, além de produtores e pesquisadores

Primeiro dia da programação da edição 2020 do festival contou com duas conferências, com participações de artistas como Karina Buhr, Tássia Reis e Luna Vitrolira, além de produtores e pesquisadores

Folha de Pernambuco

O primeiro dia de atividades do Porto Musical 2020, nesta quinta-feira (13), trouxe debates em torno de temáticas envolvendo o mercado musical. Durante a primeira conferência da programação, realizada no auditório do museu Cais do Sertão, as cantoras Karina Buhr e Tássia Reis, o pesquisador Leonardo Marchi e Gabriel Junqueira de Andrade, idealizador do Coala Festival, conversaram com o apresentador Caio Braz.

As perguntas "Existe música fora da bolha?" e "É possível reagir ao algoritmo e ser visível?" impulsionaram o bate-papo. Leonardo Marchi introduziu a discussão falando sobre o modo como as plataformas digitais de música sugerem novos conteúdos ao público. "Como ouvinte, você acaba ouvindo aquilo que o algoritmo calcula que você poderá gostar. Esse é um problema para quem é músico e está entrando no mercado agora, porque é preciso ainda aprender a lidar com essas ferramentas digitais", afirmou.

Com 25 anos de carreira, Karina Buhr contou que demorou a aderir ao streaming e outros recursos de distribuição digital do seu trabalho. "Quando eu comecei a fazer música, não havia nada disso. Hoje, acaba todo mundo tendo o mesmo tipo de referência sempre. Por isso, eu sinto a necessidade de ficar um pouco off-line, às vezes", disse.

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Já para Tássia Reis, rapper paulista, essa relação com a internet é mais próxima. "Lancei meu primeiro single em 2013 e meu primeiro EP em 2014. Foi justamente a época em que o Spotify chegou no Brasil. Já comecei com a essa visão de disponibilizar minha música em todos os meios e, se não fosse o digital, talvez o meu trabalho não tivesse sido conhecido pelas pessoas", ponderou.

Cancelamento virtual

Na segunda conferência do dia, o debate girou em torno do tema "Cancelando você - A política de cancelamento da internet: justiça ou opressão?". A jornalista Dani Arrais mediou a conversa entre a poeta e cantora Luna Vitrolira, o psicanalista Lukas Liedke e Alexandre Rossi, programador da casa de shows carioca Circo Voador.

Conferência

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Folha de Pernambuco

Conferência "Cancelando você", com Dani Arrais, Luna Vitrolira, Lukas Liedke e Alexandre Rossi - Crédito: José de Hollanda/Divulgação



"Penso que esse movimento que a gente tem de atuação política nas redes sociais, dando visibilidade a questões sociais antes invisibilizadas, é muito importante, porque antes as pessoas estavam no seu canto, achando que poderiam falar e fazer o que quisessem sem responder por isso. Para mim, como artista, me faz pensar sobre manter a coerência entre o que eu prego nos meus trabalhos e as minhas ações", compartilhou Luna.

Já Rossi analisou o comportamento a partir do seu ponto de vista como produtor em contato diário com músicos de todo o Brasil. "Lido com esse tipo de coisa o tempo inteiro. Você contrata uma banda e, de uma hora para outra, ela é cancelada na internet. De certa forma, a arte acaba sendo cerceada. Eu acho que é preciso encontrar uma forma mais humana de lidar com essas questões", comentou.