Árbitros pernambucanos expõem dificuldades em meio à pandemia

Profissionais e amadores da arbitragem do Recife detalham drama vivido por conta da paralisação do futebol

Profissionais e amadores da arbitragem do Recife detalham drama vivido por conta da paralisação do futebol

Profissionais e amadores da arbitragem do Recife detalham drama vivido por conta da paralisação do futebol

Folha de Pernambuco

Naturalmente, a visibilidade gera maior protagonismo dos clubes e jogadores na maior crise do futebol da atual geração. É com esses personagens que o público possui afinidade e procura acompanhar a realidade de cada um. Parece óbvio. Contudo, é válido lembrar que uma partida é mais abrangente do que simplesmente 22 jogadores e dois técnicos no campo. Sem perspectiva de melhora em meio à pandemia da Covid-19, árbitros amadores e profissionais lutam contra o drama da paralisação das atividades na várzea e gramados do Recife.

A suspensão temporária dos campeonatos de várzea compromete diretamente a renda de quem paga as contas por meio do apito. A estimativa de Carlos Augusto, um dos diretores da Associação de Árbitros de Futebol Unidos dos Guararapes (AAFUG) - entidade responsável pela escala dos árbitros -, é que 70% do quadro da arbitragem amadora de Pernambuco vive somente da remuneração proveniente das partidas. A outra parcela complementa a renda da mesma maneira. Efetuado pelas ligas, o pagamento ao trio de arbitragem é realizado a cada rodada dupla, ou seja, após dois jogos. Normalmente é exercido um rodízio em que o juiz de campo e um dos bandeirinhas trocam de função na segunda partida. Em média, quem participa do revezamento recebe R$ 240, e o assistente que se mantém no posto é contemplado com R$ 100.

Carlos Augusto explica que, por haver alta demanda de jogos, é possível arrecadar mais do que no emprego considerado principal. Com o cenário completamente diferente hoje, ele trouxe relatos de colegas angustiados. “Tenho muitos amigos que chegam pra mim e dizem: ‘não tenho nem o que comer’. Eu, infelizmente, não posso nem ajudar. Porque quando a gente tem a demanda dos jogos, aí alguns chegam e falam: 'tenta me colocar em mais jogos essa semana pela minha situação e tal’, e daí a gente ajuda dessa forma. Mas na situação atual fica impossível, porque não tem a quem recorrer”, declarou, colocando todas as fichas na medida provisória que libera R$ 600 para autônomos, visto que não existe vínculo empregatício. O diretor da AAFUG adianta que é provável uma readequação na agenda do futebol amador pernambucano. “As copas estão paradas e, acredito eu, se a situação se estender, pode ser que alguns campeonatos venham até a paralisar de vez e não iniciar esse ano por conta do calendário, só no ano que vem”, completou.

Há 11 anos na arbitragem, Cleiton Gobato teve passagens pelo quadro da Federação Pernambucana de Futebol (FPF) e na várzea. Ele migrou para o society após considerar ser mais rentável. Atualmente, enfrenta o momento mais difícil na carreira pela pausa das peladas e classificava a renda como indispensável. “Eu exercia a arbitragem de segunda a domingo e isso era prioridade no meu lado financeiro e profissional. Pra mim foi um choque muito grande”, lamentou. “Graças a Deus, apareceu uma oportunidade pra mim como motorista na Ceasa, aí eu estou lá, por enquanto, até passar essa pandemia e voltar ao normal”, comentou.

Alexandre Ramalho é filiado ao sindicato da categoria em Pernambuco e recentemente se tornou árbitro profissional de Fut7. Mesmo não sendo a sua renda principal, ele narra o tamanho do impacto da paralisação até mesmo para quem trabalha em outro serviço. “Existem árbitros que possuem um nível de convite (escalas) e outros com um melhor nível de convite. Mas hoje, em um mês relativamente fraco, isso significava um acréscimo em torno de 40% na renda em termos práticos. Em um mês que a gente possa considerar bom, isso poderia variar entre 70% e 80%”, falou.

No âmbito profissional do futebol de campo, os ajustes estão sendo feitos. O Sindicato de Árbitros de Pernambuco acertou com a FPF o adiantamento de R$ 10 mil para serem divididos entre os 52 profissionais que compõem o quadro da entidade. Um segundo acordo está sendo encaminhado para outro adiantamento no mesmo valor. Quando os jogos retornarem, os pagamentos referentes à cada partida serão abatidos. Ao todo, 52 fazem parte da federação, sendo que 30 destes (13 árbitros e 17 assistentes) integram a Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Déborah Cecília é a única que representa o Estado na Fifa.

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