Atletismo tenta superar "Era Bolt"

Primeiro Mundial após a aposentadoria do jamaicano começa nesta sexta (26), com jovens apostas e nomes consagrados tentando manter a popularidade do esporte Da Redação com agências

Primeiro Mundial após a aposentadoria do jamaicano começa nesta sexta (26), com jovens apostas e nomes consagrados tentando manter a popularidade do esporte




Da Redação
com agências

Primeiro Mundial após a aposentadoria do jamaicano começa nesta sexta (26), com jovens apostas e nomes consagrados tentando manter a popularidade do esporte Da Redação com agências

Folha de Pernambuco

Restando menos de um ano para as Olímpiadas de Tóquio, o continente asiático já sente o clima. Um dos esportes mais populares, o atletismo tem seu Mundial 2019 sediado em Doha, no Catar, desta sexta-feira (27) até o próximo dia 6. O evento, no entanto, traz uma novidade que nenhum organizador gostaria de anunciar: será a primeira edição desde 2005 sem a presença de Usain Bolt. O astro jamaicano de 33 anos se aposentou no Mundial de 2017, em um adeus com contornos dramáticos, com direito a lesão na última prova e derrota nos 100m.

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Os insucessos da despedida não apagaram o brilho alcançado por Bolt, com glórias que vão além dos oito ouros olímpicos - seriam nove se o resultado no revezamento da Olimpíada de 2008 não fosse cancelado pelo doping de Nesta Carter. Bolt ainda é o recordista dos 100m, com marca registrada no Mundial de 2009 (9s58). Ao todo, acumulou 14 medalhas (11 douradas) em sete mundiais. Como a combinação de grandes performances e carisma dele está longe do alcance de qualquer nome do atletismo atualmente, sua aposentadoria criou um vácuo a ser preenchido pelos novos talentos.

Doha também não terá a presença de três dos corredores mais conhecidos atualmente. A sul-africana Caster Semenya, 28, bicampeã olímpica e campeã mundial dos 800m, está inabilitada em razão de uma norma da IAAF (federação internacional de atletismo) sobre controle hormonal. Mo Farah (GBR), 36, tetra olímpico e atual campeão mundial dos 10.000m, hoje se dedica às maratonas e não mais às pistas. Já o sul-africano Wayde van Niekerk, 27, que bateu o recorde mundial de Michael Johnson nos 400m na Rio-2016, convive há dois anos com uma lesão no joelho direito.

Entre os jovens candidatos a protagonista nos próximos anos está o velocista Christian Coleman (EUA), 23. No último Mundial, ele ficou à frente de Bolt nos 100m e foi superado apenas pelo compatriota Justin Gatlin, 37, até hoje um dos seus maiores rivais. Gatlin ainda é um astro, mas sua suspensão por doping e o papel de antagonista na relação com Bolt não o tornou dos mais queridos pelo grande público.

Já Coleman, que está em início de trajetória, fez as melhores marcas dos 100m nos dois últimos anos (9s82 e 9s79) e chega como favorito, embora tenha corrido o risco de ficar fora após faltar a três exames antidoping da agência de controle dos EUA (Usada), comportamento passível de punição caso aconteça em intervalo de um ano. Como havia uma divergência sobre a data da primeira ausência, acabou liberado de pena. Já Noah Lyles (EUA), 22, tem dominado os 200m e mostra força ainda nos 100m, surgindo como herdeiro mais provável do legado showman de Bolt. Fã do desenho Dragon Ball e de Star Wars, já correu com meias do personagem R2D2 e comemorou uma vitória simulando um sabre de luz.

Há outros jovens que já estão entre os melhores do mundo em suas provas, como a velocista Dina Asher-Smith (GBR) e a triplista Yulimar Rojas (VEN), ambas de 23 anos, além do fenômeno sueco do salto com vara Armand Duplantis, 19, que tem um vídeo de salto em câmera lenta com mais de 4 milhões de visualizações no Twitter. Com revelações que ainda buscam a glória e atletas já consagrados, como as velocistas jamaicanas Shelly-Ann Fraser-Pryce e Elaine Thompson, o atletismo tenta manter sua popularidade e mostrar que há vida após Usain Bolt.