Caso Aldeia: acusação espera mais de 20 anos de prisão para Jussara

Júri deve terminar no fim da tarde desta terça-feira (5) com a condenação ou não da viúva

Júri deve terminar no fim da tarde desta terça-feira (5) com a condenação ou não da viúva

Júri deve terminar no fim da tarde desta terça-feira (5) com a condenação ou não da viúva

Folha de Pernambuco

Deve terminar até o fim da tarde desta terça-feira (5) o julgamento da farmacêutica Jussara Rodrigues da Silva Paes, de 55 anos, réu confessa de assassinar e esquartejar o médico cardiologista Denirson Paes, 54, encontrado morto dentro de uma cacimba da casa onde morava, em um condomínio de luxo na Estrada de Aldeia, em Camaragibe, Região Metropolitana do Recife. Segundo o advogado assistente de acusação, Carlos André Dantas, a sentença pelo crime de homicídio triplamente qualificado e de ocultação de cadáver devem somar mais de 20 anos de prisão contra Jussara.

“Se a pena for menor, iremos recorrer”, afirmou o advogado. “Por um critério de justiça, nós esperamos que os jurados escolham a tese da acusação e condenem a ré, porque as provas são unânimes”, continuou Carlos André.

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Após aproximadamente 13 horas de julgamento, o segundo dia de júri, que começou por volta das 9h, dará à defesa e à acusação cerca de uma hora e meia para exporem seus argumentos, com direito à réplica e tréplica. Em seguida, o júri decide se a farmacêutica é condenada ou não pelos crimes.

A acusação falou ainda sobre a participação de filho mais velho do casal, Danilo Paes, que está sendo investigado por ajudar a mãe no crime. “A perícia foi clara que seria impossível Jussara praticar esse crime sozinha. Entramos com um recurso contra Danilo, o Tribunal de Justiça acatou o pedido da acusação, e manteve a pronúncia de Danilo para o júri, mas existe um prazo para que haja esse recurso que deve ir para Brasília. Danilo deve ser ir para júri também, só não sabemos quando”, detalhou o advogado.

Ainda em relação a tese de que Jussara era agredida pelo marido, a acusação voltou a negar o que disse a defesa da ré. “A defesa se sustenta em uma acusação de agressão feita em 2015 por ela, mas que foi desmentida pela própria amiga que durante depoimento negou. Não há nenhum sinal de agressão”, finalizou.

Relembre o caso
O cadáver do médico cardiologista Denirson Paes foi encontrado em 4 de julho de 2018 dentro de uma cacimba da casa onde morava, no condomínio de luxo Torquato de Castro I, localizado no km 13 da Estrada de Aldeia, em Camaragibe, Região Metropolitana do Recife. O desaparecimento do médico vinha sendo investigado desde o início de junho.

Em um Boletim de Ocorrência registrado em 20 de junho sobre o desaparecimento do marido, a farmacêutica Jussara Rodrigues Silva Paes alegava que a vítima teria viajado para fora do País e que não teria retornado desde então. A delegada Carmem Lúcia, de Camaragibe, desconfiou do envolvimento dos familiares e solicitou um mandado de busca e apreensão no condomínio em que eles moravam.

Na busca policial, realizada em 4 de julho, foram encontrados os primeiros restos mortais do médico na cacimba da residência. Para a polícia, havia indícios suficientes da participação de mãe e filho na ocultação do corpo de Denirson, Danilo. Em 5 de julho, Jussara e Danilo foram presos temporariamente suspeitos de ocultação de cadáver.

Danilo foi encaminhado para o Centro de Observação Criminológica e Triagem Professor Everaldo Luna (Cotel), em Abreu e Lima. Jussara foi levada para a Colônia Penal Feminina do Recife. Em 20 de agosto, um laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou asfixia por esganadura como a causa da morte do cardiologista. Os três pedidos de habeas corpus feitos pela defesa de Jussara. Em dezembro passado, Danilo recebeu habeas corpus, obtendo liberdade.