Centenas de marroquinos protestam contra detenção de jornalista

Omar Radi foi preso por criticar no Twitter uma sentença da justiça de seu país

Omar Radi foi preso por criticar no Twitter uma sentença da justiça de seu país

Omar Radi foi preso por criticar no Twitter uma sentença da justiça de seu país

Folha de Pernambuco

Centenas de pessoas protestaram neste sábado (28), em Rabat, contra a detenção do jornalista e ativista dos direitos humanos marroquino Omar Radi, preso por criticar no Twitter uma sentença da justiça de seu país.

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"Não vamos nos render", "Justiça servil", "Este Estado é corrupto", gritaram os manifestantes em frente ao Parlamento. O jornalista, de 33 anos, foi detido na quinta-feira, no mesmo dia da abertura de um processo contra ele.

Radi será julgado por ter postado um tuíte no qual criticou o veredicto de um magistrado, que condenou com penas de até 20 anos de prisão membros do 'Hirak', um movimento de protesto social que percorreu o norte do Marrocos em 2016 e 2017. Em sua conta do Twitter, ele qualificou o juiz de "carrasco".

Radi, que colabora com vários veículos de comunicação marroquinos e estrangeiros, é julgado pelo artigo 263 do código penal, que pune a "ofensa a magistrado" com penas de um mês a um ano de prisão.

A detenção do jornalista, considerado uma personalidade midiática do Movimento de 20 de Fevereiro, versão marroquina da Primavera Árabe, gerou indignação entre as ONGs e nas redes sociais.

A ONG Repórteres sem Fronteiras, que em seu mais recente ranking anual sobre liberdade de imprensa situou o Marrocos em 135º lugar entre 180 países, pediu sua "libertação imediata". A Associação Marroquina de Direitos Humanos (AMDH) denunciou uma "campanha feroz do Estado contra a liberdade de opinião e expressão".

Um novo código de imprensa entrou em vigor no Marrocos em 2016 e não prevê mais penas de prisão, mas os jornalistas continuam sendo processados segundo o Código Penal, assim como usuários de redes sociais pelo que publicam.