Folha de Pernambuco Conheça Moacyr, o alvirrubro que superou AVC e Covid-19

Conheça Moacyr, o alvirrubro que superou AVC e Covid-19

Torcedor fanático do Timbu veste vermelho e branco para celebrar alta após 30 dias de internação e é ovacionado por enfermeiras. Saiba como amor de paciente pelo Náutico ajudou no tratamento

Torcedor fanático do Timbu veste vermelho e branco para celebrar alta após 30 dias de internação e é ovacionado por enfermeiras. Saiba como amor de paciente pelo Náutico ajudou no tratamento

Torcedor fanático do Timbu veste vermelho e branco para celebrar alta após 30 dias de internação e é ovacionado por enfermeiras. Saiba como amor de paciente pelo Náutico ajudou no tratamento

Folha de Pernambuco

Aos 45 minutos do segundo tempo, o camisa 10 do time é substituído e sai de campo ovacionado pelas arquibancadas depois de comandar a virada diante do maior rival. Por alguns segundos, um time de enfermeiras adaptou o corredor do Hospital Oswaldo Cruz em um estádio dos Aflitos lotado para celebrar a atuação de gala de Moacyr Luna Júnior, mas não havia sido qualquer uma. Aos sons do grito de guerra do Timbu e trajado de vermelho e branco, o alvirrubro de 62 anos recebeu alta após 30 dias de embate contra a Covid-19.

As adversidades iniciaram há 33 anos, quando Moacyr sofreu um AVC grave, o que dificultou sua locomoção até hoje. A solidão em meio à pandemia - sem ficar perto dos filhos -, além da ausência de atividades, ocasionou em uma depressão. O desânimo culminou em um segundo AVC no dia 29 de abril, dois dias depois do seu aniversário. Entretanto, a situação ficaria ainda mais preocupante. Enquanto estava internado no Hospital Pelópidas Silveira, no Curado, ficou febril, o que prolongou a internação de Moacyr. Foi descoberto que ele havia contraído o novo coronavírus na estadia de sete dias na unidade hospitalar.



Neste cenário, o contato humano se torna um dos principais meios para o avanço do tratamento, especialmente se levar em conta o distanciamento social obrigatório entre pacientes e familiares. Logo, a sensibilidade das enfermeiras foi fundamental para fazer a diferença na recuperação. Seu filho, Pedro Luna, exalta o papel das profissionais, em particular Jesfica Silva, que esteve ao lado de Moacyr na maior parte do tempo e foi uma ponte para reunir as duas partes novamente. “Como ele não tinha contato familiar, ela assumiu esse papel de amiga. Ela ligava pra gente, em chamada de vídeo, pra nós vermos ele e falar conosco. O tempo que tinha de folga no horário de almoço, ela fazia questão de usar pra dar atenção ao meu pai”, contou, emocionado.

Moacyr, todavia, tinha suas próprias cartas na manga para adiantar a recuperação. E o único artifício para tranquilizá-lo era colocar transmissões antigas do Náutico. A mobilidade debilitada e o receio da violência lhe afastou das arquibancadas dos Aflitos, mas sem perder um jogo sequer na televisão, a paixão não parou de crescer. Ao longo dos 30 dias hospitalizado, as vitórias e lances memoráveis do Timbu inspiraram o alvirrubro desejar dias melhores.

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Entre os gols de Bizu, o triunfo diante do Santos de Pelé, nenhum assunto foi mais comentado no quarto do que seu maior ídolo. “Ele é apaixonado por Kuki e louco pra conhecer”, disse Pedro. O ex-atacante soube da condição do fã e gravou um vídeo em que preza pela sua recuperação. “Espero que o senhor passe por esse momento difícil, na questão da luta dessa depressão. Que o senhor encontre forças e se agarre em Deus”, falou. Carlinhos Bala e o goleiro Júlio César foram outros personagens emblemáticos da história recente alvirrubra que gravaram mensagens para o fanático torcedor.

Moacyr fez um único pedido antes de sair do hospital: “Filho, preciso sair daqui trajado de Náutico”. Conhecendo o pai, Pedro já portava a camisa alvirrubra em mãos e aguardava apenas a oficialização da alta. Porém, ambos foram surpreendidos na saída do quarto, onde várias enfermeiras esperavam para encarnar o ambiente dos Aflitos e celebrar mais uma vitória na vida de seu Moacyr. “Foi um momento de glória, ver enfermeiras que estão ali diariamente lutando pela melhora de todos os pacientes com suspeita de Covid-19. Se disponibilizar e entender que futebol não é só bola rolando, é aquela coisa que contagia. Foi muito bonito”, relatou Pedro.

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