[Entrevista] Atração do Baile Municipal, Margareth Menezes fala sobre Carnaval

Cantora baiana participa do show de Maestro Spok no baile carnavalesco, que ocorre neste sábado, às 21h, no Classic Hall

Cantora baiana participa do show de Maestro Spok no baile carnavalesco, que ocorre neste sábado, às 21h, no Classic Hall

Cantora baiana participa do show de Maestro Spok no baile carnavalesco, que ocorre neste sábado, às 21h, no Classic Hall

Folha de Pernambuco

Há mais de duas décadas, Margareth Menezes arrasta multidões em cima de um trio elétrico durante o Carnaval de Salvador. Essa experiência a cantora baiana leva também para outras cidades, que, durante os dias de folia, fazem parte da sua atribulada agenda. Ela é uma das atrações do 56º Baile Municipal do Recife, que ocorre neste sábado (15), a partir das 21h, no Classic Hall. Em entrevista à Folha de Pernambuco, a artista falou sobre sua relação com a festa momesca, axé music e a nova cena musical baiana,

O que você pode adiantar sobre a sua apresentação no Baile Municipal, neste sábado?

Será uma participação com a banda do Maestro Spok. Gosto bastante do trabalho dele. Já fizemos esse encontro outra vez, mas há muito tempo a gente não se encontrava. Então, será muito bacana por isso. Como não é um show completo, serão apenas cinco canções. Vou cantar músicas do meu repertório e sucessos do samba-reggae, como "Tieta". Será uma noite bem especial.

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Você costuma tomar algum cuidado especial para enfrentar a maratona de shows no Carnaval?

São mais de 30 anos de carreira. Então, fazer isso já não é mais nenhuma novidade para mim. Mas é claro que há alguns cuidados indispensáveis para estar bem em cima do trio. Tenho cuidado com a alimentação, sou acompanhada por otorrinolaringologista e fonoaudiólogo, e sempre sigo alguns procedimentos de aquecimento, mas isso vale para todos os meus shows. Só que no Carnaval, com certeza, o cuidado é redobrado, porque as horas de trabalho são muito mais intensas.

O que mudou na forma como o Carnaval é vivenciado pelo público desde a época em que você começou a se apresentar nos trios elétricos baianos?

O Carnaval cresceu. Esse modelo de festa que a gente começou aqui em Salvador, com o trio elétrico, se expandiu. A tradição da folia na rua, que a gente encontra também em Recife e Olinda, está chegando a outras cidades cada vez mais. Tanto é que a gente vê São Paulo com um Carnaval grande agora. Virou mesmo um imenso festival musical. Não existe mais isso de só poder tocar determinado ritmo. Na verdade, Carnaval não é um estilo musical. É um momento de exposição da cultura brasileira na sua integralidade. Claro que há aquilo que é mais tradicional, como os sambas-enredo, os frevos e ijexás, mas no Carnaval pode tudo, ainda mais com essa geração mais nova, que não está ligada a rótulos. Acho isso muito benéfico e saudável, porque o Brasil é um país plural dentro da sua produção musical e artística.



O axé music completou recentemente 35 anos. Que legado ele deixa para a música brasileira?

Eu acho que a axé music não tem que provar mais nada para ninguém, porque a gente vê a força disso. Você vê a juventude cantando aqueles hits do começo. Houve um apogeu lá atrás, mas existe também uma continuidade, pela força dessa música alegre e que joga as pessoas para uma vibração positiva. Então, o lugar do axé na música brasileira já está marcado.

No seu último disco, "Autêntica", estão alguns nomes da nova geração musical baiana, como Larissa Luz e Luedji Luna. Qual é a sua opinião sobre essa nova leva de artistas da Bahia que estão despontando na cena nacional?

Acho muito interessante a inquietação que eles trazem. É muito legal o fato deles falarem sobre representatividade e serem representatividade, principalmente no que diz respeito a nossa afrodescendência. Não estão preocupados com rótulos, mas sim com ideias. Isso é maravilhoso. Essa geração está mudando a maneira de se relacionar com a música e a gente precisa acompanhar um pouco essa liberdade de compor e se expressar.

Serviço

56º Baile Municipal do Recife
Data: 15 de fevereiro
Local: Classic Hall, na av. Agamenon Magalhães, s/n
Ingressos: R$ 50,00 (pista) e R$ 600,00 (mesa para quatro pessoas), à venda nos sites Ticket Folia e Vamoz; e nos seguintes pontos físicos: Classic Hall, quiosques do Ticket Folia dos Shoppings RioMar, Recife, Tacaruna, Plaza, Boa Vista e Guararapes e quiosques do PE no Carnaval nos shoppings Recife e Rio Mar