Equipes locais mergulham em cenário de incertezas

Times adultos de Pernambuco de diversas modalidades relatam dificuldades e preocupação com futuro pós-pandemia

Times adultos de Pernambuco de diversas modalidades relatam dificuldades e preocupação com futuro pós-pandemia

Times adultos de Pernambuco de diversas modalidades relatam dificuldades e preocupação com futuro pós-pandemia

Folha de Pernambuco

Pilares dos esportes coletivos em Pernambuco permeiam na mesma dificuldade que é encontrar um cenário positivo para as modalidades após a pandemia do coronavírus. A possibilidade de não haver mais competições neste ano, tanto no âmbito estadual como nacional, preocupa os atores esportivos, afetados por muitas incertezas e poucas perspectivas de melhora.

O cenário de incerteza é comum para todas as modalidades. Sem um declínio dos casos do coronavírus no Brasil, fica difícil prever a volta dos esportes ao normal. Cristiano Rocha, treinador do time feminino de handebol do Clube Português, ressalta a dificuldade para armar um planejamento para a equipe. “Paralisamos as atividades no início de março e não sabemos como vai ser daqui para frente. As competições estaduais iam começar na primeira semana de abril, mas foram canceladas e estamos no limbo. Sem falar que podemos perder os apoiadores mais para frente. Isso pode nos deixar em situação mais complicada ainda. Mas, desde já, nós sabemos que cortes e diminuições serão inevitáveis”, disse.

Márcio Ferreira, diretor do handebol do Jaguar/Sport demonstra preocupação parecida. “Estamos ociosos e na expectativa de quando vamos voltar. Já tive uma conversa com o comitê brasileiro de clubes e eles pediram para a gente aguardar. Eu queria muito saber se eles têm algum direcionamento para ajudar os clubes a pagar a comissão técnica. A situação não está fácil. O que nos ajudou foi que o presidente da federação suspendeu o pagamento das mensalidades que os clubes filiados tinham que pagar”, disse.

Sem poder executar os treinos presenciais, algumas equipes têm desenvolvido formas alternativas para manter as atletas ativas, mesmo que nas suas residências. O que ainda não se sabe é o impacto técnico que os atletas sofrerão após a pandemia. Exemplo de uma equipe que está tentando manter o contato com as jogadoras quase que diariamente, o time feminino de basquete do Sport, do técnico Roberto Dornelas, está focado no “treino virtual”. “Diariamente fazemos fazemos contato com nosso grupo através de videoconferência. Estamos passando treinamentos pensados para o basquete, monitorando e orientando o que pode ser feito neste momento. Mas sempre é preciso lembrar que não podemos manter um padrão para todas, pois cada uma tem uma particularidade”, afirmou.

A equipe de Dornelas já vinha tendo dificuldades financeiras desde o início do ano. Esta temporada, por exemplo, as pernambucanas ficaram de fora da Liga de Basquete Feminino (LBF) após sete anos do início do projeto do treinador. O motivo foi a falta de investidores para o time. “Nosso projeto é fortalecer a base com os campeonatos estaduais para voltarmos a disputar a LBF no próximo ano. Mas ainda não se sabe nada do que vai acontecer, não tem competição confirmada pela federação e estamos com uma incerteza muito grande. Se já não conseguimos jogar a LBF neste ano em um cenário pré-pandemia, nada garante que conseguiremos no próximo. Tudo isso gera um problema muito grande de planejamento e acaba afetando diretamente não apenas nós, como também vários outros esportes no Estado e no Brasil”, exclamou Dornelas.

Representantes pernambucanos do Futsal, vôlei e futebol 7 também foram ouvidos pela reportagem. Quem mostrou mais preocupação foi Adjair Pacheco, presidente da Associação Esportiva Caruaru, ASEC, do futebol de salão. Ele informou que a equipe já encarou problemas no início do ano e teve que recusar proposta da federação para disputar a Copa do Brasil por não ter condições financeiras. Agora, a ASEC segue sem despesas, mas com tudo parado. A falta de apoio, no entanto, segue sendo um problema.

Leia também:
Superliga B feminina chega ao fim por conta do coronavírus
Pérez lamenta decisão do COB de retirar modalidades coletivas dos Jogos da Juventude de 2020


Jogador e diretor do Fut 7 do Santa Cruz, Jefferson Santos informou que a equipe continua seguindo as determinações do clube e que apenas a Taça Pernambuco está atrasada. A segunda competição mais importante do Estado era para ter começado em abril. Já o Campeonato Pernambucano está previsto para começar em meados de agosto.

Representante de Pernambuco na Superliga B de 2020, a equipe feminina de vôlei do Sport trabalha para manter a parte física por meio de vídeos enviados pelo preparador físico do clube. Mesmo sem ter chegado ao fim previsto, a competição foi suspensa e a classificação mantida. Dessa forma, as rubro-negras ficaram na última posição, com uma vitória em sete partidas.