Governo monitora três variáveis para medir impacto do coronavírus no PIB

As variáveis vão ser consideradas para a nova estimativa oficial, a ser calculada na próxima semana

As variáveis vão ser consideradas para a nova estimativa oficial, a ser calculada na próxima semana

As variáveis vão ser consideradas para a nova estimativa oficial, a ser calculada na próxima semana

Folha de Pernambuco

O governo monitora três fatores para mensurar o impacto do coronavírus no crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 2020. Hoje o crescimento é estimado pelo Ministério da Economia em 2,4%.

As variáveis vão ser consideradas para a nova estimativa oficial, a ser calculada na próxima semana. O secretário de Política Econômica, Adolfo Sachsida, afirmou que por enquanto o ministério continua com a mesma previsão divulgada há mais de um mês, em 14 de janeiro.

Segundo ele, o número foi confirmado por cálculos dos técnicos há cerca de duas semanas. "Refizemos as contas do PIB há duas semanas e estava tudo normal, continuava em 2,4%. De duas semanas para cá, os dados do coronavírus mostraram uma certa piora", disse.

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Segundo Sachsida, diferentes países, como Coreia do Sul, Itália e Alemanha, estão mostrando sinais de deterioração em indicadores. "De duas semanas para cá, piorou bastante", afirmou.

Apesar disso, ele disse que ainda é preciso esperar para saber se haverá algum impacto no PIB em decorrência do contágio.

"Temos que ver se essa piora veio em uma magnitude suficiente para afetar nosso resultado do PIB. Agora, que ocorreu uma piora nas últimas duas semanas, me parece um fato conhecido", disse.

Os cálculos serão feitos na próxima semana. "Vamos rodar novamente [os números] e teremos uma posição mais clara. Vamos ver o que vai acontecer, prefiro esperar", disse.

A primeira variável sendo monitorada é a demanda por produtos brasileiros, que vai depender de como está o crescimento no resto do mundo.

Se outros países estiverem com atividade menor, é provável que a compra de produtos brasileiros seja impactada.

A segunda é a oferta, que varia conforme fornecedores de insumo deixem de abastecer as indústrias brasileiras e afetem o ritmo da produção (por exemplo, componentes de celulares e eletrônicos vindos da China). Já há relatos de falta de matéria-prima em fábricas no território nacional.

A terceira é o preço das commodities. O arrefecimento da atividade e a menor demanda pelos produtos em escala global poderiam prejudicar o país.

"Isso tem efeito negativo no Brasil", disse Sachsida. De qualquer forma, a avaliação é que todo tipo de efeito na economia brasileira teria ligação com o cenário externo (por causa do comércio exterior), e não com uma eventual epidemia no Brasil e seus impactos em restrição de circulação de pessoas.

Isso porque o governo parte da premissa de que o vírus não deve se espalhar tanto como em outros países por causa do clima tropical e da época do ano (verão).

Segundo o secretário, está sendo usado o que há de mais moderno em estatística e econometria para os estudos, embora o coronavírus tenha peculiaridades que tornam a tarefa mais complexa. "Efeito de epidemia sobre crescimento econômica tem vários estudos na teoria econômica. Qual a dificuldade do coronavírus? A disseminação é muito mais alta", afirmou.

Como o PIB é a principal variável na estimativa de receitas federais, um corte na estimativa oficial teria como efeito imediato a provável redução na projeção dos recolhimentos. Isso leva à necessidade de um maior contingenciamento de recursos no ano -para cumprir a meta fiscal- em um momento em que o governo já enfrenta uma execução orçamentária apertada.

A necessidade de contingenciamento deverá ser publicada por meio do boletim bimestral de receitas e despesas, a ser divulgado até o dia 22 de março.

No mercado, as previsões para o PIB de 2020 registram queda desde 13 de fevereiro. A mediana dos analistas, colhidas pelo Banco Central, passaram naquele dia de 2,3% para 2,28%. Nas semanas seguintes, para 2,23%, 2,22%, até chegar aos atuais 2,2%, dado divulgado em 21 de fevereiro.

Uma nova medição da expectativa do mercado para o PIB será divulgada na próxima segunda-feira (2) e deverá levar em consideração a confirmação do primeiro caso de coronavírus no Brasil.

Diferentes bancos cortaram as projeções nos últimos dias em meio ao surto de coronavírus, dados mais fracos sobre a atividade e dúvidas sobre a agenda de reformas econômicas.

Nesta quinta-feira (27), o Bank of America Merrill Lynch reduziu a perspectiva de crescimento econômico do Brasil em 2020 de 2,2% para 1,9%. A entidade se junta a outras instituições financeiras que já haviam cortaram projeções para baixo dos 2%.

Na quarta-feira (26), o JP Morgan já havia revisado sua projeção de 1,9% para 1,8%. Outros analistas, como a empresa de pesquisa britânica Capital Economics, estão mais pessimistas, prevendo um crescimento de 1,5% neste ano.

O BNP Paribas reduziu sua previsão de crescimento de 2% para 1,5%.O Fator foi ainda mais pessimista e derrubou sua projeção de 2,2% para 1,4%. Estimativa do banco BBVA está em 1,9% desde janeiro.

Nas últimas semanas, também revisaram para baixo suas projeções, embora ainda no piso de 2%, Santander, UBS, Barclays e Safra. Alguns analistas aguardam a divulgação dos dados do último trimestre de 2019, na quarta-feira (4), antes de revisar suas projeções.

Projeções para alta do PIB em 2020
Ministério da Economia (2,4%)
Banco Central (2,2%)
Mercado (2,2%)
Expectativa do mercado vem caindo
Projeção do PIB
Em janeiro (2,31%)
No começo de fevereiro (2,23%)
Em 21 de fevereiro* (2,20%)

Variáveis monitoradas pelo ministério para medir impacto do coronavírus no PIB
Demanda por produtos brasileiros depende da atividade no resto do mundo. Se outros países estiverem com crescimento menor, compra de produtos brasileiros pode ser impactada

Oferta
Se fornecedores de insumo deixarem de abastecer indústrias brasileiras, isso pode afetar o ritmo da produção (por exemplo, componentes de celulares e eletrônicos vindos da China)

Commodities
O arrefecimento da atividade, a menor demanda por commodities e a queda dos preços em escala global pode prejudicar o país

Fontes: Ministério da Economia, Boletim Focus e Relatório de Inflação do Banco Central
Colaborou Eduardo Cucolo