Folha de Pernambuco Parapan chega ao fim com campanha histórica do Brasil

Parapan chega ao fim com campanha histórica do Brasil

Delegação verde-amarela estabeleceu recorde de conquistas do evento com 308 medalhas, sendo 124 ouros

Delegação verde-amarela estabeleceu recorde de conquistas do evento com 308 medalhas, sendo 124 ouros

Delegação verde-amarela estabeleceu recorde de conquistas do evento com 308 medalhas, sendo 124 ouros

Delegação verde-amarela estabeleceu recorde de conquistas do evento com 308 medalhas, sendo 124 ouros

Folha de Pernambuco

A delegação brasileira que viajou para os Jogos Parapan-Americanos de 2019 tinha como missão manter a hegemonia do País na liderança do quadro geral de medalhas do evento. Em 11 dias de disputas em Lima, no Peru, os atletas nacionais fizeram muito mais. Quebraram uma enxurrada de recordes, entre eles o de número total de medalhas conquistadas, deixando para trás - com folga - sua então melhor campanha da história, em Toronto-2015.

Na ocasião, a equipe verde-amarela acumulou 257 medalhas, sendo 109 ouros. Dessa vez, o saldo ultrapassou a barreira das 300 medalhas - 124 ouros, 99 pratas e 85 bronzes. O desempenho, inclusive, é o melhor da história dos Parapans, superando o que o México fez na primeira edição dos Jogos, na condição de anfitrião, em 1999, quando conquistou 307 medalhas.

O Brasil viajou até a capital peruana com a maior delegação entre os Parapans já disputados (513 pessoas, sendo 337 atletas), mas com algumas incertezas. Sofreu a perda do nadador multicampeão André Brasil, considerado inapto para o desporto paralímpico ainda no primeiro trimestre. Viu um cenário duvidoso com a união de algumas classes, provas sem medalha e outras disputas canceladas. Superou tudo com louvor.

As últimas medalhas brasileiras saíram neste domingo (1º), no ciclismo de estrada, com direito a ouro para o paulista Lauro Chaman, e também no parabadminton, com presença pernambucana no pódio. Natural do Cabo de Santo Agostinho, Abnaecia Silva foi bronze nas duplas mistas ao lado do catarinense Ricardo Cavalli.

Segundo o presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Mizael Conrado, a campanha em Lima é ainda mais expressiva se analisado o crescimento de outras nações. Os Estados Unidos, por exemplo, saltaram de 40 ouros em Toronto-2015 para 57 em Lima, enquanto a Argentina foi de 18 para 24 títulos. O Brasil, que foi vice-campeão geral nas duas primeiras edições do Parapan, ambas as vezes atrás do México, tornou-se dominante no evento a partir de 2007 e, desde então, os registros são de crescimento.

Dentro do sucesso em Lima, contudo, há pontos que deixaram a desejar no planejamento do CPB, como a não classificação do time misto de rugby em cadeiras de rodas e das equipes feminina e masculina do basquete em cadeiras de rodas para os Jogos Paralímpicos de Tóquio, no ano que vem. “A gente vê que é necessário pensarmos um planejamento mais real, mais concreto, talvez uma renovação mais acelerada. Não diria que foi uma decepção, mas a gente realmente acreditava”, disse o chefe da missão brasileira em Lima, Alberto Martins.

Em contrapartida, natação e halterofilismo superaram as expectativas, com campanhas expressivas. Segundo Martins, a campanha no Parapan é ponto de partida para ajustes no intuito de potencializar resultados visando não só os Jogos Paralímpicos de Tóquio, no próximo ano, mas também a edição de Paris-2024. “Lima foi um ótimo termômetro para que a gente avalie o caminho que estamos trilhando, se temos que fazer uma revisita ao nosso planejamento pra Tóquio. Na realidade nosso planejamento é para dois ciclos, oito anos, Tóquio e Paris. A gente tinha uma expectativa aproximada e superou um pouco.”

O próximo grande compromisso do Brasil é em Tóquio. A melhor campanha do País nos Jogos Paralímpicos foi o sétimo lugar conquistado em Londres-2012. Em 2016, no Rio, a delegação terminou em oitavo. “A gente sabe que do Top 10 para o Top 5 é questão de uma medalha, duas medalhas. Então a gente precisa sempre estar ali naquele Top 10”, destacou Martins, adiantando que o foco do trabalho nos próximos anos é manter um ritmo de renovação de talentos, de forma que o Brasil possa ter longevidade na condição de potência no paradesporto. Em Lima, por exemplo, 21% da delegação era formada por atletas da nova geração.