Projeto inclui livros em cestas básicas distribuídas nas periferias

Em dez meses, a iniciativa distribuiu mais de 3.000 livros com a ajuda de 60 voluntários em todo o país

Em dez meses, a iniciativa distribuiu mais de 3.000 livros com a ajuda de 60 voluntários em todo o país

Em dez meses, a iniciativa distribuiu mais de 3.000 livros com a ajuda de 60 voluntários em todo o país

Folha de Pernambuco

"Você aceita um livro?", pergunta o publicitário Mateus Santana, 28, durante a distribuição de cestas básicas a moradores de uma periferia no Distrito Federal.
Mateus é o idealizador do projeto Bienal da Quebrada, fundado em julho do ano passado com o objetivo de democratizar o acesso à literatura nas favelas do país. Uma das ações, que acontece desde agosto, é a arrecadação e entrega de livros nesses territórios.

Em dez meses, a iniciativa distribuiu mais de 3.000 livros com a ajuda de 60 voluntários em todo o país. As entregas ocorrem, principalmente, no Distrito Federal, em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Após o início da pandemia do novo coronavírus, o número de ações diminuiu para garantir a segurança dos voluntários. Para contornar o problema, Mateus passou a doar um livro junto a cada cesta básica que distribui na periferia do DF, onde mora.
Ele conta que, ao abordar o morador, sempre faz uma espécie de convite: pergunta se a pessoa também gostaria de receber um livro, já que muitos não têm proximidade com a leitura.

"Quase ninguém nega. A reação é muito legal, porque a gente entrega o livro e a pessoa já pergunta se temos outro que ela possa escolher. A receptividade tem sido muito boa."

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Por enquanto, Mateus entregou 30 livros na cidade Recanto das Emas (DF). Outras distribuições já estão agendadas em Sol Nascente e na Cidade Estrutural, também no Distrito Federal. Nascido e criado na periferia, o publicitário, o primeiro da família a concluir o ensino superior, defende a importância de estimular os demais moradores a buscar a leitura e o conhecimento.

"O livro também é necessidade básica. O conhecimento formal, da escola, da Academia, já é dificultado para nós. Se não for a gente, que vem desse território, [a estimular a leitura], dificilmente outras pessoas farão", afirma. "Foi a partir da leitura que passei a me interessar pela escrita, a fazer faculdade, a estar em espaços públicos discutindo sobre a nossa realidade", completa.

Para viabilizar a distribuição em outros estados nesse momento de distanciamento social, Mateus repassou 1.300 livros para duas iniciativas do Rio de Janeiro. A ONG Voz das Comunidades receberá mil e o coletivo Favela Vertical, 300.

O Favela Vertical, que atua na Gardênia Azul, zona oeste, irá catalogar os livros e distribuí-los ainda neste mês, junto às cestas básicas. Já a distribuição pelo Voz da Comunidades começará na próxima segunda-feira (18), no Complexo do Alemão, na zona norte. Junto a cada quentinha entregue pelo projeto, o morador também receberá um livro.

O Bienal da Quebrada recebe as doações a partir de contatos nas redes sociais. A pessoa que quer repassar um livro deve informar o estado e a cidade onde se encontra, para que Mateus verifique se existem voluntários no local. Nesse caso, o voluntário vai até o doador e armazena os livros na própria casa ou em depósitos específicos do projeto, até o dia da distribuição.

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