Que Páscoa!

As reflexões que devem estar na mesa desta Páscoa

As reflexões que devem estar na mesa desta Páscoa

As reflexões que devem estar na mesa desta Páscoa

Folha de Pernambuco

Tão diferente... E paradoxalmente tão própria. Como diz uma mensagem que
circula nas redes sociais, “há quanto tempo não se via uma Páscoa onde Jesus
vai ser mais lembrado que ovo de chocolate?”. Pois é. Tantos se apegando às
mãos de Deus para sobreviver ao novo Coronavírus (ou vírus chinês, como muitos
preferem chamar), nesse tempo de quarentena, de isolamento social e de muita
reflexão. Proliferam textos com mudanças de hábitos, de valores pessoais,
insinuando humildade neste momento de vulnerabilidade que nos nivela. De tão
iguais aos ensinamentos divinos, que teimamos em desrespeitar, até parece que
essa pandemia foi obra Dele. Um novo dilúvio! Pois se assim for, que saibamos
embarcar numa nova arca de Noé.

Para tanto, precisamos vencer esse vírus. A despeito de uma relativa baixa
letalidade, seu alto grau de disseminação é fator agravante. Muitos contaminados
terminam por acarretar cifras expressivas de mortes. Com elas, uma nova
pandemia, a do pânico. Que entre outros sintomas, provoca falta de equilíbrio
emocional. Dificultando a moderada tomada de posições. Sentimentos de vaidade,
de teimosia e até de maldade – quantas fake news, minha nossa Senhora! – se
infiltram no processo, alimentando ainda mais um ambiente de incertezas. Quando
tudo que precisamos agora é de serenidade. Aqui fazendo um aparte, para usar
como exemplo (e externando meu “lado britânico”): God save the Queen
Elizabeth”!

Precisamos de isolamento social para conter a disseminação viral. Fiquem em
casa, se podem. Eu, por exemplo, nem sempre consigo, pois preciso ver
pacientes. Outros médicos estão na frente de batalha. Aqui, parodiando Churchill,
“nunca tantos deveram tanto a tão poucos!” Parabéns nobres colegas. Quem
sabe, depois desse dilúvio, nossa profissão sai valorizada. Se saírem de casa,
usem máscaras faciais protetoras. Máscara, máscara, máscara, sempre. Lavem
as mãos, usem álcool gel, mas usem máscara! Se ficarem doente, o uso da
cloroquina (hidroxicloroquina) é recomendado sim! Sobre o tão debatido lastro
científico para tanto, se nesse instante formos rigorosos demais, muitas vidas
serão perdidas. Outros sobreviverão com graves sequelas respiratórias. Há na
literatura médica dezenas de estudos concordantes a favor de seu uso. Por
enquanto, é o que temos pro almoço! O resto é teimosia de autoridades (como
mudam de posições quando adoecem!). Porém é muito importante ressaltar que
só deve ser empregada sob estrito acompanhamento médico. Voltando a lembrar
aqui a pandemia do pânico e seus inerentes desequilíbrios. Por fim, que nossas
autoridades tenham a clarividência de investir pesado num item importantíssimo:
os kits para testes em massa da população. Sem esquecer do sentimento da
páscoa e rezar muito. Lembrando que páscoa se origina do hebraico pessach.
Que significa passagem e se refere ao êxodo dos escravos hebreus guiados por
Moisés, através do revolto Mar Vermelho. Tudo sinalizando que essa nova peste
vai passar. Com a graça de Deus!

Ih, nem falei de vinho. Então, lá vão umas duas linhas. Se você ainda for
comer peixe e bacalhau nessa páscoa, acompanhe com um bom vinho branco. O Quinta Maria Izabel é ótima escolha. E se for de carneiro, acompanhe com um tinto, a exemplo do Quinta do Crasto. E não se esqueça do tim, tim, brinde à vida.

 *É médico e enólogo e escreve quinzenalmente neste espaço

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