Teatro Fernando Santa Cruz, em Olinda, reabre as portas

Localizado no Centro Cultural Mercado Eufrásio Barbosa, o espaço será reinaugurado nesta terça-feira, com apresentação do espetáculo 'Soledad'

Localizado no Centro Cultural Mercado Eufrásio Barbosa, o espaço será reinaugurado nesta terça-feira, com apresentação do espetáculo 'Soledad'

Localizado no Centro Cultural Mercado Eufrásio Barbosa, o espaço será reinaugurado nesta terça-feira, com apresentação do espetáculo 'Soledad'

Folha de Pernambuco

A cidade de Olinda agora conta com mais um espaço voltado às artes cênicas. O Teatro Fernando Santa Cruz será reaberto nesta terça-feira (22) pelo Governo de Pernambuco, a partir das 19h30, no Centro Cultural Mercado Eufrásio Barbosa, no bairro do Varadouro. Com 131 lugares disponíveis para o público, o equipamento cultural traz em sua programação inaugural uma série de apresentações de espetáculos pernambucanos.

"Nó temos em Pernambuco um movimento teatral muito forte e reconhecido nacionalmente. No entanto, não há palcos suficientes para atender à demanda dos artistas locais. É muito importante ter mais um lugar onde essa produção possa escoar", afirma Márcia Souto, diretora de Promoção do Artesanato e da Economia Criativa da AD Diper, agência responsável pela gestão do equipamento.

O teatro vem se somar aos outros espaços culturais que já integram o Eufrásio Barbosa, como museu, livraria e loja de artesanato. O mercado foi reaberto em julho do ano passado, após passar quatro anos fechado. Desde então, a sala teatral não vinha sendo utilizada de maneira regular, já que não possuía ainda os equipamentos necessários para o seu funcionamento. "A partir de agora, as peças que circularem por aqui terão toda a infraestrutura de som, luz e mobiliário para serem apresentadas", explica Márcia.

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Inicialmente, cinco espetáculo passarão pelo palco do teatro. Todas as obras têm em comum o fato de relembrarem o período da ditadura militar brasileira, tocando em temas como liberdade e política. A abertura fica por conta de "Soledad", solo da atriz Hilda Torres, sob direção de Malú Bázan. O monólogo conta a história de Soledad Barret, militante e guerrilheira paraguaia assassinada em Pernambuco, nos anos 1970. As próximas apresentações serão de "Antes que desapareça", do Grupo Experimental, no dia 1º de novembro; "Retratos de chumbo", do Grupo de Teatro João Teimoso, no dia 2; "Pa(Ideia)", do Coletivo Grão Comum, no dia 8; e "Pro(Fé)ta", também do Grão Comum, no dia 9.

Teatro Fernando Santa Cruz conta com 131 lugares na plateia

Teatro Fernando Santa Cruz conta com 131 lugares na plateia

Folha de Pernambuco

Teatro Fernando Santa Cruz conta com 131 lugares na plateia - Crédito: Jose Britto/Folha de Pernambuco



"Neste momento político que estamos vivendo, com tantos debates em torno da ditadura, reabrir um teatro com o nome de Fernando Santa Cruz é uma bela homenagem. Por isso é que também estamos trazendo trabalhos que reforçam o entendimento da defesa da democracia", comenta a gestora. Desaparecido desde a década de 1970, o estudante e militante foi reconhecido morto pelo Estado sob o regime militar apenas em 29 de julho deste ano. Sua memória também será celebrada com o Festival Fernando Santa Cruz de Artes Cênicas, voltado para obras de cunho político, cuja primeira edição será realizada em setembro de 2020.

Durante a noite de abertura do teatro, também será lançado um edital de ocupação. O objetivo é selecionar espetáculos para compor a programação do espaço até o mês de janeiro. "Essa primeira convocatória será voltada apenas para trabalhos pernambucanos. Até janeiro, pretendemos debater um pouco sobre o perfil do teatro e lançar novos editais", adianta.