Bolsonaro diz que Witzel lhe contou que porteiro citou seu nome

De acordo com presidente, governador do Rio teve acesso a detalhes do processo sobre Marielle Franco, que corre em segredo de Justiça

Bolsonaro ficou irritado com reportagem

Bolsonaro ficou irritado com reportagem

José Dias/PR - 28.10.2019

O presidente Jair Bolsonaro, em viagem à Ásia, afirmou em entrevista a jornalistas brasileiros nesta quarta-feira (30) que o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), vazou a informação de que o porteiro do condomínio Vivenda da Barra havia citado seu nome nas investigações sobre a morte da ex-vereadora Marielle Franco (PSOL). 

Segundo Bolsonaro, no dia 9 de outubro, às 21h, ele estava no Clube Naval no Rio de Janeiro quando foi informado pelo governo Witzel "que o processo estava no Supremo". "Eu perguntei: que processo? Ele falou 'o processo da Marielle" E eu disse: O que tenho a ver com a Marielle? E ele falou: o porteiro citou o seu nome",

Entrevista exclusiva: Bolsonaro nega envolvimento no caso Marielle

O presidente repetiu a informação e declarou que, com esse vazamento, o governador do Rio provou ter acesso a uma investigação sigilosa. "Witzel sabia de um processo que estava em segredo de Justiça", enfatizou Bolsonaro.

Bolsonaro ficou bastante irritado após a reportagem da TV Globo, divulgada terça-feira (29) à noite. Ele afirmou que está em contato com o ministro da Justiça, Sergio Moro, para que a Polícia Federal colha um novo depoimento do porteiro que associou o presidente ao principal suspeito do assassinato da vereadora.

"Para esclarecer de vez esse fato, de modo que esse fantasma que querem colocar no meu colo como possível mentor da morte de Marielle seja enterrado de vez", disse Bolsonaro em Riade, capital da Arábia Saudita.

O presidente afirmou não saber quem é o porteiro citado em reportagem da TV Globo nesta terça-feira.

Segundo a reportagem do Jornal Nacional, um porteiro do condomínio Vivendas da Barra, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, disse em depoimento à Polícia Civil do Rio que, no dia do assassinato (14 de março de 2018), um dos suspeitos se dirigiu até o conjunto de casas onde vive o presidente, horas antes do crime.